Assinada pelas matriarcas do Casa do Jongo, Lazir Sinval e Deli Monteiro, obra resgata histórias desde a fundação da comunidade da Zona Norte carioca
Uma das primeiras comunidades do Rio de Janeiro, a centenária Serrinha de Madureira, localizada na Zona Norte da cidade, é tema de um livro lançado este mês, assinado pelas jongueiras e cantoras Deli Monteiro e Lazir Sinval.
“Conversas de Quintal – 60 anos do Jongo da Serrinha” mergulha na história do jongo, com suas tradições: dança, canto, pontos, toques de tambor, além da trajetória dos seus ancestrais.
Com a finalidade de resgatar e manter viva a rica cultura do bairro, o livro foi viabilizado por meio de emenda parlamentar destinada pela deputada federal Jandira Feghali (PCdoB/RJ).
Matriarcas da tradicional Casa de Jongo, as autoras da obra relatam o dia a dia desse quilombo, que resistiu à especulação imobiliária e se manteve ativo no tradicional ponto final do bonde de Madureira.
A dupla destaca a importância que o jongo assumiu para aquela localidade carioca e a luta dos seus integrantes para preservar as manifestações culturais ancestrais.
Essa história tem início no terreiro de umbanda de Vovó Maria Joana, uma das matriarcas do Jongo. O espaço ficava localizado na rua onde foi fundada a comunidade da Serrinha.
“É muito emocionante a gente ter feito esse livro contando a história daqui da Serrinha, da minha avó, da minha família, do meu tio Darcy, da minha mãe, de todos da família Monteiro e de todos os jongos também, de todos os jongueiros que a gente homenageia e de Tia Maria do Jongo, de Vovó Tereza, que se foi com 115 anos, da minha família em geral”, afirma Deli.
“Conversas de Quintal” faz ainda uma homenagem a Tia Maria do Jongo, falecida em 2019. A personagem foi uma das lideranças ativas do Jongo e considerada ‘guardiã’ da cultura de Madureira.
Origens do jongo
Foi das plantações do Vale do Café do Sudeste que surgiu o jongo, tendo a sua origem nas senzalas. O jongo é um dos patrimônios imateriais da Serrinha, erguido por uma maioria de estivadores do Cais do Porto, que ocupavam aquela região.
Essas famílias também ajudaram na fundação de uma das escolas de samba mais conhecidas do carnaval carioca, a Império Serrano.
CONFIRA VÍDEO: livro sobre os 60 anos do Jongo da Serrinha – YouTube
O grupo cultural Jongo da Serrinha foi criado por Mestre Darcy, filho de vovó Maria Joana, líder espiritual da comunidade e conselheira dos moradores.
Mestre Darcy foi quem levou o Jongo da Serrinha pelo Brasil afora, assim como as manifestações culturais singulares que nasciam no terreiro da sua mãe.
Nos anos 90, Mestre Darcy passa para Tia Maria a missão de preservar o jongo, o que deu um aspecto mais feminino ao trabalho. Uma das autoras do livro, Lazir Sinval traduziu a dança e o jogo corporal do jongo, criando uma cartilha oral para transmissão do conhecimento.
A Casa do Jongo foi inaugurada na Serrinha em 2015, servindo de sede para outros ritmos e trabalhos culturais da região.
Atualmente, funciona no espaço um centro de memória do jongo e outro espaço cultural onde acontecem espetáculos, sessões de cinema, circo, dança, samba e, claro, roda de jongo.












