O Brasil conseguiu restabelecer o acesso nacional de seus produtos avícolas aos mercados internacionais apenas 19 dias após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em Santa Catarina. A última restrição que atingia todo o território brasileiro foi retirada pelo Uruguai, permitindo a retomada das compras de produtos provenientes dos estados não afetados pelo episódio sanitário.
A liberação representa um avanço para a avicultura brasileira, um dos principais setores exportadores do agronegócio. Apesar disso, o comércio ainda não voltou completamente à normalidade: 11 países mantêm restrições relacionadas a Santa Catarina, enquanto a área diretamente atingida pela doença continua submetida a medidas sanitárias.
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), os bloqueios que permanecem em vigor afetam aproximadamente 15 mil toneladas mensais de produtos avícolas, o equivalente a 3% da média de 500 mil toneladas exportadas pelo país.
Foco foi confirmado em granja de Santa Catarina
A situação começou em outubro de 2026, quando as autoridades sanitárias identificaram a doença de Newcastle em uma granja comercial de perus no município de Nova Itaberaba, no Oeste catarinense.
A enfermidade é causada por um vírus altamente contagioso entre aves e pode provocar perdas expressivas na produção, dependendo da gravidade do surto.
Após a confirmação, países compradores adotaram medidas preventivas para proteger seus plantéis.
Alguns suspenderam temporariamente as importações de produtos avícolas de todo o Brasil, enquanto outros limitaram as restrições à região afetada.
Diante das decisões, o governo brasileiro iniciou negociações para demonstrar que a ocorrência estava localizada e que os demais estados poderiam continuar exportando dentro das exigências sanitárias internacionais.
Prazo para retirada dos embargos caiu de 74 para 19 dias
A rapidez na retomada comercial foi destacada pelo Ministério da Agricultura.
Em julho de 2024, um foco da mesma doença em uma granja do Rio Grande do Sul também provocou restrições internacionais.
Naquela ocasião, o Brasil precisou de 74 dias para conseguir a retirada de todos os embargos que abrangiam o território nacional. O processo foi concluído em 30 de setembro de 2024.
Desta vez, a reversão ocorreu em 19 dias, uma redução de 55 dias em relação ao episódio anterior.
Segundo o Mapa, a China revisou sua decisão em menos de 24 horas, permitindo a manutenção das operações comerciais fora da área afetada.
O governo atribui o resultado ao trabalho de vigilância sanitária, à comunicação com os países importadores e aos mecanismos de controle utilizados pela defesa agropecuária brasileira.
Regionalização evitou bloqueios mais amplos
Um dos principais instrumentos utilizados nas negociações foi a regionalização sanitária.
Esse procedimento permite que as restrições comerciais sejam direcionadas às áreas onde uma doença foi identificada, em vez de atingir toda a produção de um país.
No caso do foco de Newcastle em Santa Catarina, a estratégia possibilitou diferenciar os municípios sob controle sanitário dos demais polos produtores brasileiros.
A medida é especialmente importante para um país com grandes distâncias territoriais e produção avícola distribuída por diferentes estados.
O ministro da Agricultura, André de Paula, destacou a importância da resposta sanitária e do diálogo com os parceiros internacionais para preservar as exportações brasileiras.
A regionalização, entretanto, depende do reconhecimento dos países compradores, que podem adotar exigências próprias para autorizar a entrada dos produtos.
Exportações de frango somam US$ 8,67 bilhões
A retirada dos embargos ocorre em um período de desempenho positivo das exportações brasileiras de carne de frango.
Dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indicam que o setor movimentou US$ 8,67 bilhões entre janeiro e setembro de 2026.
O resultado representa crescimento de 21% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.
Somente em setembro, os embarques ultrapassaram 500 mil toneladas, com aumento de 3,7% no volume exportado, segundo a entidade.
Os números mostram a importância do comércio exterior para a cadeia produtiva, que envolve granjas, frigoríficos, transportadoras, fornecedores de insumos e empresas de logística.
Quando um país importador suspende as compras, os efeitos podem atingir diferentes etapas da produção, com reflexos sobre contratos, estoques e planejamento comercial.
Por isso, a redução do período de embargo é considerada relevante para preservar a competitividade do setor.
Onze países ainda restringem produtos catarinenses
Embora nenhum parceiro comercial mantenha restrições nacionais relacionadas ao episódio, a situação de Santa Catarina ainda exige negociações.
Segundo o Ministério da Agricultura, 11 países continuam impondo limitações à entrada de produtos avícolas originários do estado.
Além disso, permanece uma área de restrição sanitária que inclui os municípios de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim.
Os produtos provenientes dessa região continuam sujeitos às determinações estabelecidas pelas autoridades sanitárias.
O governo brasileiro pretende avançar nas negociações para que os países importadores reconheçam os limites geográficos do foco e autorizem a retomada das compras das demais áreas catarinenses.
A normalização completa dependerá das avaliações sanitárias e das decisões de cada mercado.
O que é a doença de Newcastle?
A doença de Newcastle é uma infecção viral que atinge aves domésticas e silvestres.
A transmissão ocorre principalmente pelo contato com animais infectados, secreções, fezes e materiais contaminados.
Entre os sinais que podem aparecer estão dificuldades respiratórias, alterações neurológicas, queda na produção de ovos e aumento da mortalidade.
A gravidade varia conforme a cepa viral e as condições dos animais infectados.
Por apresentar elevado potencial de disseminação, a doença é acompanhada pelos serviços oficiais de defesa agropecuária e está sujeita a medidas de controle e notificação internacional.
A confirmação de um foco pode exigir isolamento da área, restrições à movimentação de animais, ações de vigilância e procedimentos para impedir a disseminação do vírus.
Brasil busca normalizar exportações de Santa Catarina
Com a retirada dos embargos nacionais, o Ministério da Agricultura concentra agora as negociações nos mercados que ainda mantêm restrições aos produtos catarinenses.
O objetivo é reduzir os impactos comerciais sem comprometer os procedimentos de prevenção e controle da doença.
A experiência de 2026 também reforça a importância da vigilância sanitária e da regionalização para um setor que depende da confiança dos compradores internacionais.
Embora parte das exportações ainda enfrente limitações, a reversão das restrições nacionais em 19 dias permitiu preservar o acesso dos demais estados brasileiros aos mercados externos.
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