Brasil e Rússia estão avançando nas conversas para criar um acordo oficial de coprodução cinematográfica. A proposta é aproximar as indústrias audiovisuais dos dois países e facilitar a realização de projetos conjuntos, que poderão ter acesso a mecanismos de incentivo e políticas públicas destinadas ao setor cultural.
A expectativa foi apresentada por Leonardo Edde, presidente da RioFilme, durante sua participação no Festival Internacional de Cinema de Moscou. O evento segue até o dia 31 e marca a terceira participação do executivo, que foi convidado pela organização.
Segundo Edde, antes de assinar o acordo será necessário entender melhor o funcionamento dos dois mercados e identificar quais tipos de produção podem ter maior potencial comercial. A análise também deve considerar os interesses do público brasileiro e russo em áreas como cinema, televisão e plataformas de streaming.
A ideia é preparar o terreno para que, quando o acordo for oficialmente firmado, empresas dos dois países já tenham oportunidades concretas de desenvolver filmes, séries e outros projetos em parceria.
RioFilme mira outros países do Brics
A aproximação com a Rússia faz parte de uma estratégia mais ampla da RioFilme. A empresa também vem buscando novas parcerias com outros países do Brics, principalmente China e Índia.
Na avaliação de Leonardo Edde, existe um mercado ainda pouco explorado entre os integrantes do bloco. O audiovisual, além de movimentar a economia criativa, pode ajudar a divulgar a cultura de um país, estimular o turismo e ampliar o consumo de produtos culturais no exterior.
A proposta envolve não apenas a produção de filmes e séries, mas também a troca de experiências, tecnologias e serviços entre empresas.
A RioFilme trabalha com a ideia de criar, gradualmente, uma rede de negócios audiovisuais entre os países do Brics. Ao mesmo tempo, a empresa pretende manter e ampliar parcerias com outros mercados internacionais.
Colômbia, Espanha, França e Reino Unido também estão entre os países considerados estratégicos para novas iniciativas de cooperação.
Rio quer atrair produções estrangeiras
A participação no festival de Moscou também está relacionada ao projeto Destination Rio, incluído no planejamento estratégico da Prefeitura do Rio para o período de 2025 a 2028.
A iniciativa busca aumentar a presença do Rio de Janeiro no mercado internacional e transformar a cidade em um destino mais atrativo para produções estrangeiras.
Além de trazer filmes e séries para serem produzidos no Rio, a estratégia pretende ampliar a circulação de conteúdos brasileiros no exterior e estimular coproduções, negócios e projetos ligados à propriedade intelectual.
A RioFilme também pretende atrair empresas estrangeiras para a cidade, incluindo companhias dos setores de cinema, audiovisual e tecnologia.
Nesse processo, a empresa vê oportunidades em áreas como inteligência artificial, infraestrutura e prestação de serviços especializados para produções internacionais.
Parceria entre Rio e Moscou já existe
A aproximação entre as duas cidades não começou agora. Em 2024, a RioFilme e Moscou assinaram um memorando de entendimento para promover os dois destinos como locais para produções internacionais e estimular negócios entre empresas brasileiras e russas.
A relação ganhou um novo capítulo em junho de 2026, quando representantes de Moscou participaram do Rio2C, um dos principais eventos da América Latina voltados ao mercado audiovisual e às indústrias criativas.
A presença da delegação russa permitiu novos contatos com empresas do Rio de Janeiro e ajudou a aproximar profissionais dos dois mercados.
Agora, a intenção da RioFilme é transformar essa aproximação institucional em projetos concretos, envolvendo produção, distribuição, tecnologia e prestação de serviços.
Se o acordo de coprodução avançar, produtores brasileiros e russos poderão ganhar um novo caminho para desenvolver projetos em conjunto e ampliar a circulação de seus conteúdos nos dois mercados.
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