Quase 70% dos moradores de São Paulo afirmam que, se tivessem oportunidade, deixariam a cidade. A constatação vem de uma pesquisa de Qualidade de Vida realizada pelo Instituto Cidades Sustentáveis e Rede Nossa São Paulo, em parceria com a Ipsos-Ipec, que acompanha a percepção da população há mais de 15 anos.
O levantamento mostra que segurança é o principal problema para sete em cada dez entrevistados, seguida de saúde (24%) e transporte público (21%). Questões ambientais, como falta de áreas verdes (21%) e risco de enchentes (15%), também aparecem com destaque, refletindo maior atenção da população para temas climáticos.
Em comparação ao ano anterior, cresceu a percepção negativa sobre transporte e áreas verdes, enquanto a preocupação com a saúde caiu 12 pontos percentuais. Um terço dos moradores percebeu melhora na qualidade de vida nos últimos 12 meses, enquanto 20% avaliaram que piorou.
A avaliação da gestão política segue baixa. Apenas 15% consideram a atuação da prefeitura boa ou ótima, e 36% a classificam como ruim ou péssima. Na Câmara de Vereadores, a desaprovação chega a 54%, com apenas 6% de aprovação. Esse cenário contribui para o desinteresse político: 55% afirmam não ter vontade de se envolver na vida política da cidade, e 36% não lembram em quem votaram para vereador em 2024.
O estudo também aponta que questões estruturais impactam a decisão de sair: baixa qualidade da educação, trânsito intenso com deslocamento médio superior a duas horas, déficit habitacional, medo de enchentes e insegurança. Apesar das oportunidades econômicas e culturais que São Paulo oferece, a cidade não consegue atrair a permanência da maioria de seus moradores.
Especialistas destacam que a vontade de permanecer na cidade é um indicador direto da qualidade de vida. Melhorias estruturais e políticas públicas eficazes são essenciais para reduzir o sentimento de insatisfação e aproximar a população da vida política.
*Compartilhe este artigo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.












