O anúncio do reajuste da tarifa do MetrôRio provocou reação negativa entre passageiros que utilizam o transporte diariamente na capital fluminense. A partir do dia 12 de abril, o valor da passagem passará de R$ 7,90 para R$ 8,20, aumento de 3,8%.
Usuários afirmam que o preço elevado não acompanha melhorias no serviço. Entre as principais reclamações estão superlotação, calor dentro dos vagões, intervalos maiores entre os trens, sujeira e problemas estruturais nas estações.
A artesã Tatiane Joana afirmou que os reajustes não se refletem na qualidade do transporte. Segundo ela, os passageiros continuam enfrentando as mesmas dificuldades mesmo após sucessivos aumentos tarifários.
O novo valor amplia ainda mais a distância entre o Rio de Janeiro e outras capitais brasileiras. Em Belo Horizonte, por exemplo, a tarifa do metrô custa R$ 5,80, quase R$ 3 a menos que o preço cobrado no sistema carioca.
O aumento também contrasta com declarações feitas pela secretária estadual de Transportes, Priscila Sakalem, em julho de 2025, quando assumiu o cargo e afirmou que estudava a possibilidade de redução da tarifa, condicionada à viabilidade fiscal e operacional.
Para quem depende do transporte diariamente, o impacto no orçamento é significativo. A empregada doméstica Elaine Garcia relatou que o custo pesa especialmente para moradores da Baixada Fluminense. Passageiros também apontam que os intervalos entre trens aumentaram nos últimos anos, contribuindo para a superlotação.
A técnica de enfermagem Diva Miranda destacou que, em horários de pico, muitas vezes nem é possível embarcar devido à quantidade de pessoas nos vagões.
Problemas estruturais também foram citados. O segurança Luiz Celso de Moura reclamou da falta de manutenção em escadas rolantes, ausência de banheiros em algumas estações e falhas na comunicação com os usuários.
A limpeza do sistema foi outro ponto criticado. Passageiros relatam condições inadequadas, principalmente durante períodos de grande circulação, como o Carnaval.
O reajuste foi homologado pela Agência Reguladora de Transportes (Agetransp), que recomendou à Secretaria Estadual de Transportes a prorrogação da tarifa social de R$ 5 até 11 de abril e sugeriu a ampliação do benefício para toda a população.
O presidente da Agetransp, Adolpho Konder, informou que pretende discutir com o governo estadual a criação de subsídios públicos para reduzir o impacto do aumento tarifário e ampliar o acesso ao transporte.
Em nota, o MetrôRio afirmou que o reajuste segue determinação da agência reguladora e que mantém os indicadores de qualidade previstos em contrato, além de registrar índice médio de aprovação de 95% entre os clientes. A concessionária não respondeu diretamente às críticas feitas pelos passageiros.
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