As obras da tirolesa do Pão de Açúcar, um dos projetos turísticos mais debatidos dos últimos anos no Rio de Janeiro, devem ser retomadas ainda no primeiro trimestre de 2026. A informação foi confirmada pela administração do Bondinho após a emissão da última licença necessária, concedida nesta quarta-feira (14).
A construção estava paralisada desde 2023, apesar de já ter autorização judicial anterior para prosseguir.
Em comunicado oficial, a concessionária responsável pelo complexo turístico informou que a retomada dos trabalhos ocorrerá em conformidade com todas as exigências legais. Segundo a empresa, o projeto atende às normas ambientais, geológicas, patrimoniais e de segurança, contando com acompanhamento técnico especializado e monitoramento contínuo das áreas impactadas.
A concessionária afirma ainda que todo o processo foi conduzido de forma planejada, transparente e com respeito ao meio ambiente e ao patrimônio histórico.
A liberação definitiva ocorre após decisão da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que, em junho do ano passado, autorizou a continuidade da obra por quatro votos a um. O colegiado rejeitou um recurso apresentado pelo Ministério Público Federal (MPF), que defendia a paralisação do projeto alegando risco de danos irreversíveis ao patrimônio natural e histórico da região.
Prevaleceu o voto do relator, ministro Francisco Falcão, acompanhado pelos ministros Marco Aurélio Bellizze, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela. A ministra Maria Thereza de Assis Moura foi a única a votar contra, argumentando que a obra deveria permanecer suspensa até o julgamento final da ação civil pública movida pelo MPF.
No entendimento vencedor, os ministros destacaram que a interrupção de uma obra com cerca de 95% de execução poderia gerar prejuízos ainda maiores ao patrimônio público. Foi citado o conceito jurídico de “periculum in mora reverso”, que aponta risco de dano mais significativo caso a obra não seja concluída, especialmente diante do estágio avançado da construção.
O projeto prevê a instalação de quatro cabos de aço com aproximadamente 770 metros de extensão, paralelos ao trajeto tradicional do bondinho, ligando o Pão de Açúcar ao Morro da Urca. A proposta é ampliar as opções de lazer e oferecer uma nova experiência aos visitantes de um dos principais cartões-postais do Brasil.
A iniciativa foi apresentada pela Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar (CCAPA) e passou a ser discutida com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2020.
O anteprojeto recebeu aval do órgão em maio de 2022, seguido da autorização para elaboração do projeto executivo em outubro do mesmo ano. As obras começaram em setembro de 2022, mas foram interrompidas em 2023 em meio a disputas judiciais.
Com a liberação final das licenças e a decisão consolidada do STJ, a expectativa agora é pela conclusão da tirolesa e sua incorporação definitiva ao roteiro turístico do Pão de Açúcar, encerrando um capítulo marcado por debates ambientais, jurídicos e patrimoniais.
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