O julgamento que apura a morte do menino Henry Borel entrou em seu nono dia com o depoimento de Monique Medeiros ao Tribunal do Júri do Rio de Janeiro.
Durante a audiência, a professora afirmou acreditar que pode ter sido dopada na madrugada em que o filho morreu e declarou que hoje considera possível que o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior (Jairinho) tenha sido o responsável pela morte da criança.
Ao responder às perguntas das partes e da magistrada responsável pelo caso, Monique afirmou que, na época dos acontecimentos, não suspeitava que Jairinho pudesse praticar agressões graves contra Henry.
Segundo ela, embora atualmente veja situações que despertam dúvidas e suspeitas, nunca imaginou que o então companheiro seria capaz de cometer violência extrema contra o menino.
Durante o depoimento, a ré relatou que o relacionamento entre Jairinho e Henry aparentava ser harmonioso nos primeiros meses. No entanto, descreveu o ex-companheiro como uma pessoa ciumenta e controladora.
Ela afirmou ter sido vítima de uma tentativa de enforcamento durante uma discussão motivada por ciúmes pouco tempo após o início do relacionamento.
Monique também relembrou episódios em que Henry teria relatado comportamentos agressivos do padrasto. Conforme seu relato, o menino contou que havia sofrido uma rasteira e recebido um golpe na cabeça. A
o questionar Jairinho sobre o ocorrido, ela afirmou ter recebido como resposta que tudo não passava de uma brincadeira.
Outro ponto abordado no julgamento foi uma conversa mantida com a babá da criança semanas antes da morte. Segundo Monique, ela ficou preocupada ao saber que Henry estava sozinho com Jairinho em determinados momentos.
Na época, acreditava que o então namorado pudesse ter adotado uma postura excessivamente rígida, mas não imaginava a ocorrência de agressões físicas. Atualmente, afirmou considerar a possibilidade de que algo mais grave tenha acontecido.
A professora também negou ter solicitado à babá que apagasse mensagens relacionadas ao caso. Segundo seu depoimento, existem registros que, em sua avaliação, demonstrariam que jamais fez qualquer pedido nesse sentido.
Ao falar sobre a madrugada de 8 de março de 2021, data da morte de Henry, Monique levantou a hipótese de ter recebido medicamentos sem saber.
Ela declarou que suspeita ter sido dopada para dormir profundamente e afirmou acreditar que Jairinho já teria adotado comportamento semelhante em outras ocasiões.
Segundo seu relato, ela foi despertada pelo então companheiro durante a madrugada, quando ele informou que havia encontrado Henry desacordado no chão do quarto.
Monique contou que, naquele momento, acreditava estar diante de um acidente doméstico e afirmou que não percebeu sinais aparentes de agressão enquanto seguia para o hospital.
A mãe da criança descreveu as tentativas de reanimação realizadas pela equipe médica como um dos momentos mais traumáticos de sua vida.
Em um trecho marcado pela emoção, revelou que chegou a confrontar Jairinho semanas antes da prisão dos dois, acusando-o diretamente pela morte do filho. De acordo com ela, o ex-vereador negou qualquer participação e insistiu em sua inocência.
Questionada pela juíza Elizabeth Machado Louro sobre quem acreditava ser o responsável pela morte de Henry, Monique respondeu que considera possível que Jairinho tenha cometido o crime.
O julgamento continua no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e segue analisando depoimentos, provas e demais elementos apresentados pelas partes antes da decisão final do júri.
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