A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1 entrou em um período de espera no Senado Federal.
Apesar de ter sido aprovada pela Câmara dos Deputados há quase uma semana, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê mudanças na jornada de trabalho ainda não recebeu encaminhamento formal na Casa.
Enquanto a proposta aguarda uma definição da presidência do Senado, uma iniciativa alternativa apresentada pela oposição começou a avançar.
O texto, protocolado como PEC 12/2026, preserva a jornada semanal de 44 horas e mantém a possibilidade de trabalho distribuído em até seis dias por semana.
Até o momento, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não anunciou quais serão os próximos passos da PEC aprovada pelos deputados.
Em contrapartida, a proposta da oposição foi encaminhada diretamente para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), dando início à sua tramitação.
Analistas políticos avaliam que a postura adotada pela presidência do Senado demonstra cautela diante de um tema que desperta forte interesse popular, mas também enfrenta resistência de setores empresariais e de parte do Congresso Nacional.
Representantes do setor produtivo defendem uma discussão mais aprofundada sobre os impactos econômicos das mudanças na jornada de trabalho e pressionam por eventuais ajustes no texto antes de sua votação definitiva.
A expectativa é que o assunto seja debatido na próxima reunião de líderes partidários, marcada para a semana seguinte ao feriado de Corpus Christi. Com a agenda legislativa reduzida nesta semana, o tema acabou ficando temporariamente em segundo plano.
Nos bastidores, a avaliação é que a condução da matéria exige equilíbrio entre diferentes interesses. De um lado, existe pressão para acelerar a tramitação em resposta ao apoio popular à proposta.
De outro, há preocupação de empresários e parlamentares sobre possíveis reflexos para o mercado de trabalho e para a atividade econômica.
A PEC da oposição, articulada pelo senador Rogério Marinho, propõe um modelo mais flexível de contratação, baseado na negociação direta entre empregadores e trabalhadores, com remuneração calculada por hora trabalhada. O texto mantém o limite atual de 44 horas semanais e permite a distribuição da carga horária ao longo de seis dias.
Segundo os defensores da proposta, o objetivo é ampliar a liberdade de negociação e permitir que diferentes setores da economia adotem modelos de jornada compatíveis com suas necessidades. A iniciativa já conta com o apoio formal de 41 senadores.
Por outro lado, integrantes da base governista criticam a proposta alternativa. Parlamentares favoráveis ao fim da escala 6×1 argumentam que o novo texto pode atrasar a tramitação da PEC aprovada pela Câmara e dificultar mudanças nas regras atuais de trabalho.
Antes de ser apreciada pelo plenário do Senado, a proposta aprovada pelos deputados deverá passar pela Comissão de Constituição e Justiça, presidida pelo senador Otto Alencar.
A expectativa é que a definição do relator ocorra nos próximos dias, etapa considerada fundamental para o avanço da matéria.
Especialistas apontam que a escolha da relatoria e a realização de audiências públicas serão decisivas para indicar o ritmo da tramitação.
A próxima reunião da CCJ está prevista para o dia 10 de junho e poderá marcar o início efetivo dos debates sobre uma das propostas mais discutidas do ano no Congresso Nacional.
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