Uma trajetória diretamente ligada à consolidação e à projeção do cinema brasileiro chegou ao fim nesta quarta-feira (22).
Luiz Carlos Barreto, conhecido como Barretão, morreu aos 98 anos, no Rio de Janeiro, deixando um legado construído ao longo de mais de seis décadas dedicadas ao audiovisual.
Produtor, cineasta, roteirista e diretor de fotografia, Barreto estava internado desde terça-feira. Sua saúde permanecia debilitada desde uma queda sofrida em 2024.
Ao lado da esposa, Lucy Barreto, ele criou a produtora L.C. Barreto, responsável pela participação em mais de 80 produções e coproduções. O trabalho desenvolvido pela família acompanhou diferentes momentos do cinema nacional e contribuiu para a realização de filmes que marcaram gerações.
Do jornalismo às produções cinematográficas
Nascido em Sobral, no Ceará, em 1928, Luiz Carlos Barreto iniciou a vida profissional no jornalismo. Antes de se dedicar ao cinema, trabalhou como fotógrafo da revista O Cruzeiro.
A aproximação com as telas ganhou força no começo da década de 1960. Um dos primeiros trabalhos de destaque foi a participação no roteiro e na produção de “O Assalto ao Trem Pagador”.
Barretão também teve atuação importante como diretor de fotografia. Entre os filmes que contaram com seu trabalho estão “Vidas Secas”, dirigido por Nelson Pereira dos Santos, e “Terra em Transe”, de Glauber Rocha.
A participação nessas obras aproximou definitivamente seu nome do Cinema Novo, movimento que transformou a linguagem e a produção cinematográfica brasileira.
Filmes marcaram diferentes gerações
Na produção, Luiz Carlos Barreto esteve ligado a alguns dos títulos mais reconhecidos do cinema nacional.
Sua trajetória inclui obras como “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, “Bye Bye Brasil” e “Memórias do Cárcere”. Os filmes ajudaram a ampliar o alcance das produções brasileiras e permaneceram como referências culturais ao longo das décadas.
Dirigido por Bruno Barreto, filho do produtor, “Dona Flor e Seus Dois Maridos” tornou-se um dos maiores sucessos comerciais do cinema brasileiro.
A atuação da família também contribuiu para o reconhecimento de produções nacionais no exterior. “O Quatrilho” e “O Que É Isso, Companheiro?” chegaram a disputar o Oscar, ampliando a visibilidade do audiovisual brasileiro no cenário internacional.
Família dedicada ao audiovisual
Luiz Carlos Barreto era casado com Lucy Barreto desde 1954. Além da parceria pessoal, os dois construíram uma colaboração profissional que se tornou uma das mais importantes do setor cinematográfico do país.
O casal teve três filhos: Bruno Barreto, Fábio Barreto e Paula Barreto. Bruno e Fábio seguiram a carreira de cineastas, enquanto Paula tornou-se produtora. Fábio morreu em 2019.
A participação conjunta em diferentes projetos transformou a família Barreto em uma das mais influentes da história do cinema brasileiro.
Defesa do cinema nacional
A atuação de Barretão não ficou restrita aos bastidores das produções. Ao longo de sua carreira, ele também defendeu políticas públicas e mecanismos destinados ao fortalecimento do audiovisual.
Seu trabalho ajudou a consolidar o setor e a criar condições para que filmes brasileiros alcançassem públicos dentro e fora do país.
A morte de Luiz Carlos Barreto encerra uma vida dedicada à construção de histórias, à formação de profissionais e à valorização da cultura nacional. Seu legado permanece nas obras que ajudou a realizar e na contribuição deixada para diferentes gerações do cinema brasileiro.
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