As desigualdades enfrentadas pela população com deficiência aparecem em diferentes aspectos da vida no Brasil. É o que mostra a segunda edição do estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre pessoas com deficiência e desigualdades sociais, divulgada nesta sexta-feira (18).
Segundo os dados, 14,4 milhões de brasileiros com 2 anos ou mais tinham algum tipo de deficiência em 2022. O número representava 7,3% da população nessa faixa etária.
A dificuldade para enxergar era a condição mais comum, seguida por limitações relacionadas à locomoção, ao manuseio de objetos pequenos, às funções mentais e à audição. Cerca de 3,9 milhões de pessoas apresentavam duas ou mais deficiências.
Participação no mercado de trabalho
A diferença na inserção profissional aparece entre os principais indicadores do levantamento. Considerando a população com 14 anos ou mais, 29% das pessoas com deficiência estavam ocupadas em 2022. Entre aquelas sem deficiência, o percentual chegava a quase 56%.
O menor nível de ocupação foi registrado entre pessoas com dificuldades relacionadas às funções mentais, com 12,9%. Já entre aquelas com dificuldade para enxergar, o índice alcançou 35,9%.
Também existe diferença entre homens e mulheres. Entre as pessoas com deficiência, 24,4% das mulheres estavam ocupadas, diante de 35,4% dos homens. Entre as mulheres sem deficiência, o percentual era de 47%.
Renda fica abaixo da média
As diferenças também aparecem nos rendimentos. Em 2022, pessoas com deficiência recebiam, em média, R$ 2.053 por mês, enquanto o rendimento médio entre pessoas sem deficiência era de R$ 2.890.
Segundo o IBGE, parte dessa diferença está relacionada à concentração desses trabalhadores em atividades que costumam apresentar remunerações menores. Entre os setores citados estão serviço doméstico, agropecuária e alojamento e alimentação.
Educação e internet também apresentam diferenças
O levantamento aponta ainda obstáculos na área educacional. Entre jovens de 15 a 29 anos com deficiência, 12,2% não sabiam ler ou escrever em 2022.
A conectividade também apresenta diferença. O acesso à internet alcançava 78,9% das pessoas com deficiência, enquanto entre aquelas sem deficiência o percentual era de 90,2%.
Os números mostram que as dificuldades não estão restritas ao emprego e à renda, alcançando também o acesso à informação e aos recursos digitais.
Acessibilidade nas áreas de moradia
As condições do entorno das residências também foram analisadas pelo IBGE. Em 2022, 67,4% das pessoas com deficiência moravam em domicílios localizados em áreas com obstáculos nas calçadas.
Ao mesmo tempo, apenas 12,9% viviam em locais onde havia rampas destinadas a pessoas que utilizam cadeira de rodas.
Os dados evidenciam a presença de barreiras de acessibilidade no espaço urbano, que podem dificultar a circulação e a autonomia dessa parcela da população.
Deficiência também está presente nas favelas
O Censo 2022 identificou aproximadamente 1,2 milhão de pessoas com deficiência vivendo em favelas e comunidades urbanas.
Nessas áreas, elas representavam 7,6% dos moradores, percentual um pouco acima dos 7,3% registrados na população brasileira em geral.
O estudo do IBGE reúne indicadores que mostram como as diferenças entre pessoas com e sem deficiência aparecem em diversas áreas, como trabalho, renda, escolaridade, conectividade e condições de acessibilidade.
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