Uma greve de trabalhadores dos setores de manutenção e montagem industrial começou nesta sexta-feira (18) em Macaé e outras cidades do Norte Fluminense. A mobilização também envolve profissionais que atuam em plataformas marítimas da Bacia de Campos e foi iniciada após a categoria rejeitar uma proposta apresentada durante as negociações da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2026/2027.
A paralisação teve início por volta das 7h30, com concentração de trabalhadores no Aeroporto de Macaé, utilizado para o embarque de equipes que seguem para as unidades offshore da região.
O movimento foi convocado pelo SINTPICC, sindicato que representa trabalhadores de pintura industrial, construção civil, montagens, manutenção e limpeza industrial, entre outras atividades.
Sindicato cita 27 unidades offshore
Nas primeiras horas do movimento, o sindicato informou que 27 unidades offshore haviam sido afetadas pela mobilização. Entre as plataformas mencionadas estão P-69, P-31, P-52, P-68, P-67, P-62, P-25, P-09, P-56, P-74, P-75, P-77, PNA-1, PCH-1, PCH-2, P-51 e P-43.
A relação divulgada pela entidade não significa, necessariamente, que todas as plataformas tenham interrompido completamente suas atividades. O impacto depende da adesão dos trabalhadores em cada unidade e das medidas adotadas pelas empresas responsáveis pelas operações.
A categoria busca avanços nas negociações salariais, além da manutenção de direitos e melhorias nas condições de trabalho.
Impasse nas negociações
A greve ocorre depois de uma assembleia dos trabalhadores rejeitar a proposta apresentada pelos representantes patronais para a CCT 2026/2027.
A Convenção Coletiva de Trabalho estabelece regras e condições aplicáveis às relações entre trabalhadores e empresas. Negociações e documentos desse tipo podem ser registrados e consultados por meio do Sistema Mediador, mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
Com a paralisação aprovada, as partes ainda podem retomar as negociações para tentar chegar a um novo acordo.
Bacia de Campos é estratégica para o petróleo
A mobilização acontece em uma das principais regiões produtoras de petróleo e gás do país. A Bacia de Campos concentra importantes operações offshore e também tem relevância para o desenvolvimento de tecnologias utilizadas na exploração em águas profundas e ultraprofundas.
A Petrobras mantém atividades de exploração na região. Em 2026, a companhia anunciou novas descobertas de hidrocarbonetos no pré-sal da Bacia de Campos, incluindo uma ocorrência identificada em abril, em um poço localizado a aproximadamente 201 quilômetros da costa do Rio de Janeiro.
Greve não tem prazo para terminar
A paralisação foi definida por tempo indeterminado. O sindicato afirma que permanece aberto à continuidade das negociações com os representantes patronais.
Os efeitos sobre as operações offshore deverão variar conforme a adesão dos trabalhadores e as medidas adotadas pelas empresas em cada plataforma. A evolução da negociação coletiva também poderá determinar os próximos passos do movimento.
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