Os primeiros movimentos do Brasil em direção ao uso da energia nuclear começaram ainda na década de 1930, mas foi no cenário global após a Segunda Guerra Mundial que o tema passou a ganhar relevância estratégica.
O impacto das armas nucleares no conflito levou o país a tratar o domínio dessa tecnologia como questão de soberania nacional.
Nas décadas seguintes, o desenvolvimento do setor esteve ligado a uma visão nacionalista e à atuação de militares e cientistas. Um dos nomes mais influentes nesse processo foi o almirante Álvaro Alberto, responsável por impulsionar a criação de uma base científica nacional, que culminou na fundação do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq), em 1951.
Durante o governo de Juscelino Kubitschek, o controle de recursos minerais estratégicos e a organização institucional do setor avançaram com a criação da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), responsável por coordenar as políticas nucleares no país.
A consolidação do programa ganhou forma nos anos seguintes, com planos para instalação de reatores nucleares no litoral do Rio de Janeiro. Em 1971, o Brasil adquiriu tecnologia norte-americana para construir sua primeira usina, Angra 1, em Angra dos Reis.
A unidade entrou em operação comercial em 1985, após enfrentar dificuldades técnicas iniciais que foram superadas ao longo do tempo.
A expansão continuou com Angra 2, iniciada em 1981 com tecnologia alemã. Após períodos de paralisação por motivos econômicos, a usina começou a operar em 2001, ampliando a participação da energia nuclear na matriz energética nacional. Atualmente, as duas usinas respondem por cerca de 3% da eletricidade consumida no país.
Além dos desafios técnicos, o programa nuclear brasileiro também enfrentou pressões externas. Discussões sobre maior transparência e fiscalização internacional ganharam força ao longo dos anos, especialmente em relação a mecanismos de monitoramento das atividades nucleares.
O Brasil, no entanto, manteve posição cautelosa, buscando equilibrar compromissos internacionais com a proteção de informações estratégicas.
O avanço do setor também foi impactado por crises políticas internas. Investigações envolvendo figuras-chave do programa, na década passada, afetaram o ritmo de desenvolvimento e trouxeram novos desafios institucionais.
Apesar disso, a energia nuclear segue sendo considerada uma alternativa importante para diversificar a matriz energética brasileira, garantindo estabilidade no fornecimento e reduzindo a dependência de fontes sujeitas a variações climáticas.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Estado do Rio.











