O ano de 2024 encerrou com o pior cenário de acidentes nas rodovias federais brasileiras desde 2018. Uma pesquisa inédita da Fundação Dom Cabral analisou dados de sete anos, entre 2018 e 2024, e identificou um aumento preocupante no número de ocorrências e mortes em trechos de grande circulação, reforçando a necessidade urgente de melhorias na infraestrutura e fiscalização.
Após uma queda pontual registrada em 2020, durante o primeiro ano da pandemia, os índices voltaram a crescer progressivamente. Em 2024, o país alcançou o maior número da série histórica: foram 56.117 acidentes em estradas federais e 4.995 mortes, também o maior total de vítimas fatais do período. O levantamento aponta ainda que 74,81% das ocorrências resultaram em pessoas feridas.
Segundo Paulo Resende, coordenador do estudo, a severidade dos acidentes se concentra em condições estruturais críticas. “Nós observamos a grande severidade dos acidentes, por exemplo, em pista simples e colisão frontal. É o que mais mata. E isso tem muito a ver com investimento em infraestrutura. Então é curva, reduzir as curvas em pistas simples que são muito mais fatais do que os outros tipos de acidentes”, explica.
As rodovias com o maior número de registros são algumas das mais importantes para a logística nacional, como a BR-101 e a BR-116, que cruzam o país do Nordeste ao Sul, além da BR-381, que liga o Espírito Santo a São Paulo.
O estudo também revela que a maioria dos acidentes ocorre durante o dia (54,70%) e mais da metade deles (52,38%) em pistas simples. Para motoristas que utilizam essas estradas diariamente, os impactos vão desde atrasos e custos adicionais até riscos crescentes à vida.
Resende alerta para um comportamento recorrente que agrava o problema: a falsa sensação de segurança em trechos retos. “A maioria dos acidentes, veja, em pista simples, acontece na reta, no dia da semana, colisão frontal. Isso é comportamento puro. Não é porque está numa linha reta que ali não tem perigo, pelo contrário. O maior perigo está ali, na reta. Então a fiscalização tem que ter bastante cuidado com isso e a questão das curvas à noite, além do controle, obviamente, do acesso lateral às rodovias. Ali acontecem muitos acidentes. São as chamadas interseções”, destaca.
O estudo reforça a necessidade de ações combinadas entre infraestrutura, fiscalização e campanhas de conscientização para reduzir as mortes e feridos em um dos setores mais essenciais para a circulação de pessoas e mercadorias no Brasil.
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