Força, agilidade e movimento. À primeira vista, a capoeira pode parecer uma atividade restrita a quem tem preparo físico, mas um grupo de Teresina mostra que a prática pode ir muito além disso — inclusive para quem já passou dos 60 anos. A iniciativa é liderada pelo preparador físico Bruno Almeida, criador da capoterapia, uma modalidade terapêutica que utiliza os movimentos da capoeira para promover saúde e bem-estar em pessoas de todas as idades.
A ideia começou a ganhar forma em 2011, quando Bruno apresentou o projeto à Prefeitura de Teresina e propôs desenvolver a prática em comunidades atendidas pelo Programa Saúde da Família (PSF). O formato experimental deu tão certo que rapidamente conquistou os participantes.
Para a aposentada Maria de Lourdes, de 78 anos, a capoterapia é muito mais do que um exercício. “Desde o início estou no projeto e me sinto muito feliz. Moro sozinha, mas já fiz várias amizades. Apesar da idade, consigo fazer todos os movimentos e meu médico pediu que eu continuasse, porque melhorou muito a minha saúde. Adoro as aulas de capoeira”, contou emocionada.
O trabalho de Bruno com os idosos despertou a curiosidade de moradores do bairro e ganhou novos adeptos. De acordo com o educador físico, os resultados são expressivos: muitos participantes reduziram drasticamente o uso de medicamentos. “Tem idosos que gastavam de R$ 600 a R$ 700 por mês em remédios e hoje não tomam nada ou apenas alguns”, relatou.
O envelhecimento costuma trazer perda de massa muscular e fragilidade óssea, mas, segundo Bruno, a atividade ajuda a reverter parte desses efeitos. “A atividade física promove bem-estar e melhora a mobilidade, a disposição e a autoestima”, destacou.
Entre os casos acompanhados pela equipe de reportagem está o de Francisca Queiroz, professora aposentada de 68 anos. Antes da capoterapia, ela sofria com artrose e dependia de ajuda até para caminhar. Hoje, os movimentos fluem com naturalidade. “Eu era muito nervosa e irritada. Depois que comecei as atividades, mudei totalmente. Hoje sou outra pessoa: feliz, leve e cheia de energia”, contou.
Resultados e desafios
A procura pela capoterapia tem crescido, mas o grupo enfrenta dificuldades financeiras. “Muita gente quer colocar pai, mãe, tia, mas não conseguimos atender todos”, explicou Bruno. O problema se agravou este ano, quando a mudança de gestão municipal interrompeu o repasse de recursos para o projeto.
Mesmo sem apoio institucional, o grupo decidiu manter a iniciativa. As aulas continuam graças à contribuição espontânea dos próprios alunos, que se uniram para preservar uma atividade que transformou suas rotinas e sua saúde. “A prefeitura deixou de apoiar, então seguimos apenas com a ajuda dos participantes”, concluiu o criador do projeto.
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