A cada quatro horas, uma pessoa negra foi morta pela polícia em 2023. Foram quase 2.800 vítimas negras no ano passado em nove estados, o que representa 90% das vítimas.
No total, no mesmo ano, 4 mil pessoas foram mortas por agentes de segurança. Isso representa sete vítimas a cada quatro horas.
Os números são do boletim Pele Alvo, divulgado na quinta-feira (7) pela Rede de Observatórios da Segurança.
De acordo com o estudo, 243 dos mortos por policiais eram crianças e adolescentes de 12 a 17 anos.
Os pesquisadores afirmam que a violência da polícia tem cor, idade e endereço.
Desde o início da série histórica, em 2020, as ações de segurança têm um padrão racista. A Bahia mantém a polícia mais letal, com 1.700 vítimas, segundo o maior número desde 2019 entre os estados monitorados.
Pela primeira vez, o Rio de Janeiro teve menos de mil mortes, mas ainda registra a morte de uma pessoa negra a cada 13 horas.
Já em São Paulo, os óbitos avançaram 21% com quase 70% de pessoas negras.
Os dados da quinta edição do boletim Pele Alvo da Rede de Observatórios da Segurança foram obtidos via Lei de Acesso à Informação em nove estados: Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.
A dura experiência de Sônia Bonfim
Sônia Bonfim teve a filha, de apenas cinco anos de idade, baleada em 2018. Três anos depois, viu o marido e o filho de 17 anos serem vítimas da letalidade policial. Samuel Vicente Camile da Silva Apolinário, em Anchieta, Zona Norte, no Rio de Janeiro, quando foram alvejados por policiais militares.
“Meu filho estudava da polícia cívico militar em São Gonçalo, era aluno, meu marido trabalhava de carteira assinada. E a gente tinha a vida normal, depois do que aconteceu acabou a minha vida, me destruiu”, relata Sônia Bonfim.
Além da dor, Sônia sofre com o preconceito e a indiferença do estado na investigação dos assassinatos.
Nem mesmo crianças e adolescentes escapam da violência policial. Do total de mortos, 243 tinham entre 12 e 17 anos.
“É uma política consistente e permanente de letalidade, mas dirigida e especificamente para um segmento da população: jovens negros e moradores de periferias”, afirma Silvia Ramos, cientista social e coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania.
É importante ter os levantamentos, as pesquisas, mas é fundamental avançar para soluções na prática. E para analisar o quadro.
Da Agência Fonte Exclusiva com informações do Direto da Redação, EBC e TV Brasil. Compartilhe esta notícia do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.










