O aumento das notificações de Mpox no Rio de Janeiro tem mobilizado autoridades e profissionais de saúde. O estado confirmou 211 casos da doença em 2026, quase o dobro dos 119 registrados durante todo o ano anterior. Outros 119 diagnósticos suspeitos ainda estão sob investigação, segundo dados do Centro de Informações Estratégicas e Resposta de Vigilância em Saúde (Cievs-RJ).
Na capital fluminense, a alta também chama a atenção. Nos últimos dois meses considerados pelo levantamento divulgado pelo g1, foram confirmadas 74 infecções, sete vezes mais do que as dez contabilizadas no mesmo intervalo de 2025.
Setembro concentrou 45 diagnósticos, o maior total mensal dos últimos três anos. Em outubro, até o período analisado, outros 29 casos já haviam sido confirmados.
Rio está sem doses da vacina contra Mpox
Além do crescimento das infecções, a falta de imunizantes na capital preocupa. Atualmente, a cidade do Rio de Janeiro está sem doses da vacina contra a doença.
Dez pacientes estão internados no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) localizada em Manguinhos, na Zona Norte da cidade.
O cenário reacendeu o debate sobre a necessidade de ampliar a disponibilidade de vacinas, principalmente para pessoas com maior risco de desenvolver complicações.
Como ocorre a transmissão e quais são os sintomas?
A Mpox é uma infecção causada por um vírus que pode provocar febre, dores no corpo e lesões na pele. Essas manifestações podem evoluir para bolhas e feridas em diferentes partes do corpo.
A transmissão acontece principalmente pelo contato direto com lesões, secreções e fluidos corporais de pessoas infectadas. Também existe risco de contágio pelo contato com objetos e materiais contaminados.
Embora muitos pacientes apresentem quadros leves ou moderados, a doença pode provocar complicações graves e, em determinadas situações, levar à morte.
Ao perceber sintomas compatíveis com a infecção, a recomendação é procurar atendimento médico para avaliação e orientação. Até a confirmação do diagnóstico, é importante evitar contato físico próximo com outras pessoas.
Vacinação atende grupos prioritários
A vacina contra Mpox não é oferecida atualmente de forma ampla para toda a população. De acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde, a estratégia de imunização contempla grupos prioritários, como:
- Pessoas vivendo com HIV que apresentam comprometimento grave do sistema imunológico;
- Profissionais de laboratório que trabalham diretamente com o vírus;
- Pessoas que tiveram contato de risco com casos suspeitos ou confirmados da doença.
O deputado federal Daniel Soranz (PSD), ex-secretário municipal de Saúde do Rio e presidente da Frente Parlamentar da Vacina no Congresso Nacional, defende que o Ministério da Saúde adquira novas doses.
Para o parlamentar, o crescimento das infecções na capital deve ser observado como um sinal de alerta para outras regiões do país. Soranz argumenta que ampliar a disponibilidade de imunizantes é importante para reduzir a circulação do vírus e proteger pessoas mais vulneráveis.
“A compra da vacina monkeypox é essencial para evitar a disseminação da doença e garantir a proteção dos grupos mais vulneráveis. A Frente Parlamentar da Vacina estimula e cobra que cada vez mais a gente tenha vacina no tempo correto e no momento que as pessoas precisam. Aqui no Rio de Janeiro, o aumento do número de casos liga um alerta para todo o Brasil”, declarou.
Infectologista orienta procurar atendimento médico
O infectologista Celso Ferreira Ramos Filho também destacou a importância de buscar assistência médica diante de sintomas suspeitos. O especialista chamou atenção para o risco de transmissão entre pessoas que mantêm contato próximo com alguém infectado.
“O que a pessoa tem que fazer é correr para o médico. Essa é uma doença contagiosa por via sexual, por via aérea também, então as outras pessoas que estejam próximas estão sob risco de contaminação”, afirmou.
O avanço dos casos reforça a importância da vigilância epidemiológica, do diagnóstico oportuno e das medidas de prevenção. A ampliação da vacinação e o acompanhamento dos pacientes também fazem parte das discussões sobre a resposta das autoridades de saúde ao cenário.
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