Santa Catarina confirmou o segundo foco da doença de Newcastle em uma criação comercial de perus no Oeste do estado. O novo caso foi identificado no município de Coronel Freitas, próximo a Nova Itaberaba, onde a primeira ocorrência havia sido confirmada em 18 de outubro. A situação mobiliza autoridades sanitárias e produtores rurais, especialmente com a aproximação do Natal, período de maior procura por carne de peru.
A confirmação ocorreu entre os dias 23 e 24 de outubro, após análises laboratoriais e sequenciamento genético. Segundo a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), o novo foco foi localizado durante o monitoramento realizado na região que já estava sob vigilância sanitária.
A propriedade afetada, em Coronel Freitas, possui aproximadamente 36,8 mil perus de corte. Equipes de defesa agropecuária iniciaram os procedimentos sanitários previstos para conter a doença, incluindo a retirada sanitária das aves afetadas, investigação epidemiológica e ampliação da fiscalização nas propriedades vizinhas.
Mais de 170 granjas comerciais foram fiscalizadas
O trabalho de contenção envolve profissionais da Cidasc, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e de outras instituições estaduais.
De acordo com informações divulgadas pela Rádio Nacional em 26 de outubro, mais de 170 granjas comerciais e 317 criações de subsistência já haviam sido fiscalizadas. Quatro barreiras sanitárias permaneciam em funcionamento para controlar a circulação de veículos e reduzir o risco de propagação do vírus.
As autoridades também informaram que 15 granjas comerciais apresentaram resultados negativos para a doença. Com isso, esses estabelecimentos receberam autorização para encaminhar suas aves saudáveis ao abate regular.
Quatro municípios estão em emergência sanitária
O Ministério da Agricultura declarou emergência zoossanitária por 60 dias em Nova Itaberaba, Nova Erechim, Coronel Freitas e Águas Frias.
A medida permite intensificar a fiscalização, controlar o transporte de aves e adotar providências imediatas em propriedades onde houver suspeita ou confirmação da doença.
No primeiro estabelecimento afetado, em Nova Itaberaba, os procedimentos de limpeza e desinfecção já foram concluídos. A granja permanece em vazio sanitário, período em que a criação de novos animais fica suspensa para reduzir o risco de contaminação.
O que é a doença de Newcastle?
A doença de Newcastle é uma infecção viral altamente contagiosa que atinge diferentes espécies de aves, incluindo galinhas, perus e aves silvestres.
O vírus pode provocar problemas respiratórios, alterações neurológicas, diarreia, redução na produção de ovos e mortalidade elevada, dependendo da gravidade da infecção.
A transmissão entre aves pode ocorrer por secreções respiratórias, fezes, água, alimentos e equipamentos contaminados.
Por isso, as autoridades recomendam reforçar a limpeza dos aviários, restringir o acesso de pessoas às áreas de criação e impedir o contato de aves comerciais com animais silvestres.
Consumir carne de peru oferece risco à saúde humana?
A confirmação dos focos também levanta dúvidas entre consumidores, principalmente diante da proximidade das festas de fim de ano.
A doença de Newcastle pode atingir seres humanos, mas os casos são raros e geralmente estão associados ao contato direto e intenso com aves infectadas, especialmente em atividades de criação, manejo ou laboratório.
Quando ocorre infecção humana, a manifestação mais conhecida é uma conjuntivite temporária.
Não há evidências de transmissão da doença pelo consumo de carne de aves devidamente inspecionada, manipulada e cozida. O cozimento adequado é uma medida importante de segurança alimentar.
Vírus também foi encontrado em pombos silvestres
Outro ponto que chamou a atenção das autoridades foi a identificação do paramixovírus aviário em pombos de vida livre no município de Marema, também no Oeste catarinense.
Segundo o Ministério da Agricultura, essa ocorrência não é classificada como um novo foco da doença de Newcastle em aves comerciais, conforme os critérios da Organização Mundial de Saúde Animal.
Mesmo assim, a detecção reforça a necessidade de evitar o contato entre aves silvestres e animais criados para produção de alimentos.
Fiscalização continuará até a contenção da doença
As equipes sanitárias permanecem mobilizadas para identificar possíveis novos casos e acompanhar as propriedades localizadas nas áreas de vigilância.
A Cidasc orienta os criadores a comunicar imediatamente qualquer suspeita de doença, principalmente quando houver mortalidade anormal, dificuldade respiratória, torcicolo ou outros sintomas nas aves.
A notificação pode ser feita aos escritórios locais da companhia ou pelo sistema oficial e-Sisbravet.
O objetivo das medidas é impedir que o vírus alcance outras granjas, preservar a produção avícola e garantir a segurança sanitária dos alimentos comercializados no país.
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