O mercado de combustíveis dos Estados Unidos enfrenta uma forte pressão com a redução da oferta mundial de diesel. A situação é resultado de uma combinação de problemas no Oriente Médio e na Rússia, que vêm afetando tanto a produção quanto o transporte de derivados de petróleo.
A situação também provocou explicações diferentes dentro do governo de Donald Trump. O vice-presidente J.D. Vance destacou os impactos provocados pela guerra com o Irã, enquanto Trump chamou atenção para os danos causados por ataques ucranianos contra instalações de refino russas.
Conflito no Oriente Médio reduz oferta
Segundo a Reuters, a guerra no Irã vem afetando significativamente as cadeias globais de fornecimento de diesel. A interrupção de fluxos comerciais e os riscos para o transporte marítimo dificultaram a chegada de combustíveis a diferentes mercados.
O problema ganhou dimensão maior porque os estoques estão em níveis muito baixos. Nos Estados Unidos, os preços do diesel ultrapassaram US$ 6 por galão em setembro, enquanto as reservas chegaram ao menor nível para o mês desde 1982. A Agência de Informação de Energia dos EUA (EIA) projeta que os estoques permaneçam pressionados durante boa parte de 2027.
A situação também afeta outros mercados. Europa e Ásia registram déficits de estoques, enquanto refinarias trabalham com margens elevadas diante da dificuldade de atender à demanda.
Trump aponta problemas nas refinarias russas
Trump, por sua vez, tem relacionado parte da escassez aos ataques ucranianos contra refinarias da Rússia. As ofensivas reduziram a produção de algumas das principais unidades do país e levaram Moscou a restringir as exportações de combustíveis.
A Reuters informou que seis grandes refinarias russas respondem por aproximadamente metade da produção de diesel do país. Entre elas estão instalações em Kirishi, Volgogrado, NORSI, Omsk, Taneco e Perm. Algumas unidades tiveram a produção reduzida de maneira significativa ou chegaram a interromper as operações após ataques com drones.
Com a menor produção, a Rússia passou a limitar as vendas externas de gasolina, diesel e combustível de aviação para preservar o abastecimento interno.
Pressão sobre o mercado americano
A combinação dos dois problemas deixou o mercado internacional de diesel mais apertado. A Reuters aponta que a oferta global pode continuar restrita até 2027 caso os conflitos permaneçam afetando as exportações e a produção de combustíveis.
Nos Estados Unidos, o impacto é particularmente relevante para caminhões, agricultura, indústria e transporte de mercadorias, setores altamente dependentes do diesel.
Além da oferta internacional, existe uma limitação doméstica. As refinarias americanas estão operando próximas da capacidade máxima, o que reduz a possibilidade de aumentar rapidamente a produção para compensar a queda dos fluxos externos.
Rússia aumenta parte das exportações para países vizinhos
Apesar das restrições, dados recentes mostram que a Rússia ampliou em agosto as exportações de diesel para países da Ásia Central. Os embarques para Cazaquistão, Quirguistão, Mongólia e Tajiquistão passaram de 370 mil toneladas no mês, mais que o dobro do registrado em julho.
A maior parte das exportações russas para outros mercados, porém, continua limitada pelas restrições impostas por Moscou. Segundo traders ouvidos pela Reuters, a produção doméstica melhorou, mas ainda não foi suficiente para permitir uma retomada completa das exportações.
Preços elevados podem continuar
O cenário internacional mantém o mercado de diesel sob pressão. Mesmo com possíveis aumentos de produção em algumas regiões e maior oferta de combustíveis vindos da China, analistas avaliam que uma escalada dos conflitos no Oriente Médio ou novos ataques contra refinarias russas podem provocar novas altas.
Para os Estados Unidos, o problema vai além do preço nas bombas. Como o diesel é fundamental para o transporte de cargas e para o setor agrícola, uma alta prolongada pode aumentar os custos de frete e pressionar outros preços da economia.
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