A defesa da soberania nacional e de uma atuação mais multilateral nas relações internacionais voltou ao centro das declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN, nesta segunda-feira (21), o presidente criticou a forma como Donald Trump conduz a política externa dos Estados Unidos.
Lula afirmou que Trump foi eleito para governar os Estados Unidos, mas não teria autoridade para determinar os rumos políticos de outros países. Segundo o presidente brasileiro, a posição não representa uma tentativa de confronto com Washington, mas uma defesa da autonomia das nações.
“O presidente Trump foi eleito para ser o presidente dos EUA. Ele tem o direito de governar os EUA, mas não tem o direito de governar outros países, não tem o direito de impor sua vontade”, afirmou.
Lula defende respeito às eleições
Durante a entrevista, o presidente também destacou que cada país deve ter autonomia para definir seus próprios representantes. Ao falar sobre a relação entre Brasil e Estados Unidos, Lula afirmou que o princípio deve valer tanto para as eleições brasileiras quanto para as americanas.
Segundo ele, o Brasil reconhece o direito dos cidadãos dos Estados Unidos de escolher seus governantes e espera que o mesmo princípio seja respeitado em relação às decisões tomadas pelos brasileiros.
“Não se trata de desafiar os EUA, nem de entrar em confronto”, afirmou Lula.
A defesa da soberania e da autonomia política também aparece na agenda internacional que o governo brasileiro pretende levar à Assembleia Geral da ONU.
Presidente volta a defender o multilateralismo
Outro ponto destacado por Lula foi a necessidade de fortalecer as instituições multilaterais. Para o presidente, as relações internacionais não devem ser conduzidas apenas de acordo com os interesses das maiores potências.
Lula criticou o que chamou de lógica da “lei do mais forte” e defendeu que países de diferentes tamanhos tenham espaço para participar das decisões internacionais.
A entrevista ocorreu em Nova York, onde Lula participa da programação relacionada à 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas. O fortalecimento do multilateralismo é uma das posições que o governo brasileiro tradicionalmente apresenta nos fóruns internacionais.
Brasil tenta manter diálogo com os EUA
Apesar das críticas a Trump, Lula afirmou que pretende manter o diálogo com o governo americano. A relação entre os dois países também envolve as negociações comerciais em torno das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
O governo brasileiro vem mantendo conversas com representantes americanos para tentar avançar nas negociações comerciais. Em agosto, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o Ministério das Relações Exteriores informaram que as equipes dos dois países retomaram o diálogo sobre as tarifas e outras medidas comerciais.
Lula afirmou que prefere buscar uma solução negociada e descartou, nas declarações feitas à CNN, a intenção de transformar a disputa comercial em uma guerra entre os dois países.
Ao resumir a postura que pretende manter na relação com Washington, o presidente afirmou: “Gosto de ser respeitado e de demonstrar respeito. Essa é a relação que desejo ter com os EUA”.
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