Uma nova reconstrução da história geológica da Terra pode ampliar o tamanho conhecido de Gondwana. Um estudo publicado em 9 de setembro na revista Science Advances identificou grandes fragmentos de uma antiga massa continental que, segundo os pesquisadores, fazia parte da porção norte do supercontinente.
A pesquisa analisou mais de 25 mil amostras de rochas ígneas encontradas na Ásia, Europa e América do Norte. Os dados permitiram identificar trechos de crosta continental antiga que atualmente estão sob cadeias montanhosas.
Um dos maiores fragmentos está localizado na região do Cazaquistão e teria aproximadamente 2,2 milhões de quilômetros quadrados.
Gondwana pode ter sido ainda maior
Com a inclusão das áreas identificadas na pesquisa, os cientistas estimam que Gondwana teria entre 122,7 milhões e 127,8 milhões de quilômetros quadrados.
A área equivaleria a cerca de 80% de todas as terras emersas existentes atualmente. Por isso, os pesquisadores utilizam o termo “Grande Gondwana” para representar a configuração proposta na nova reconstrução.
A descoberta ajuda a preencher lacunas sobre a distribuição dos continentes em um período muito anterior à formação do mapa atual da Terra.
Vulcanismo pode ter alterado o clima
Além de estimar uma área maior para Gondwana, o estudo apresenta uma hipótese sobre as condições ambientais que antecederam a explosão cambriana, período marcado por uma rápida diversificação da vida e iniciado há cerca de 500 milhões de anos.
De acordo com os pesquisadores, movimentos das placas tectônicas nas bordas do supercontinente provocaram o mergulho de uma placa sob outra. Esse processo teria formado uma gigantesca cadeia vulcânica com aproximadamente 31,7 mil quilômetros de extensão.
A intensa atividade vulcânica teria liberado grandes volumes de dióxido de carbono e vapor de água na atmosfera ao longo de milhões de anos. Esses gases contribuíram para o aquecimento do planeta e para condições mais úmidas.
A hipótese dos pesquisadores é que essas mudanças ambientais possam ter ajudado a criar condições favoráveis à diversificação das formas de vida durante a explosão cambriana.
Estimativa ainda pode aumentar
Os cientistas ressaltam que a nova dimensão atribuída a Gondwana pode ser uma estimativa conservadora. Parte da antiga crosta continental pode ter sido destruída por processos geológicos, permanecido submersa ou afundado em regiões profundas do planeta.
Isso significa que os fragmentos identificados podem representar apenas uma parte do território que compunha o supercontinente.
A reconstrução, portanto, não apenas amplia o possível tamanho de Gondwana, mas também oferece novas pistas sobre a evolução das placas tectônicas, o clima e as condições ambientais existentes centenas de milhões de anos antes da configuração atual dos continentes.
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