Uma vacina personalizada desenvolvida na Rússia para determinados casos de câncer de pele já começou a ser utilizada em pacientes por meio do sistema de seguro médico obrigatório do país. A informação foi divulgada nesta terça-feira (15) por Denis Logunov, diretor do Centro Gamaleya, em Moscou.
De acordo com o pesquisador, o tratamento está incluído na cobertura do sistema público de saúde russo. Segundo Logunov, dois pacientes já receberam a vacina ao longo de 2026.
Tratamento é voltado para melanoma avançado
Chamada de NeoOncovac, a vacina foi desenvolvida em conjunto pelo Centro Gamaleya e pelo Centro Nacional de Pesquisa Médica de Oncologia Blokhin. A fabricação fica a cargo do Centro Nacional de Pesquisa Médica de Radiologia.
O Ministério da Saúde da Rússia autorizou o uso clínico do tratamento em abril deste ano. A indicação é para adultos diagnosticados com melanoma inoperável ou metastático, casos em que o câncer não pode ser retirado por cirurgia ou já se espalhou para outras partes do organismo.
O primeiro paciente tratado foi um homem de 60 anos da região de Kursk. A aplicação ocorreu em abril, após a autorização das autoridades russas.
Vacina é criada individualmente para cada paciente
A NeoOncovac utiliza a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) e é produzida levando em consideração as características genéticas do tumor de cada paciente.
A estratégia busca ensinar o sistema imunológico a identificar determinadas características das células cancerosas. Com essas informações, a resposta imunológica pode ser direcionada contra os antígenos específicos presentes no tumor.
Em julho, pesquisadores russos relataram que os primeiros resultados indicavam uma resposta imunológica contra diferentes antígenos identificados no tumor analisado. Os responsáveis pelo desenvolvimento classificaram os resultados iniciais como promissores.
Como se trata de uma abordagem personalizada, a composição da vacina é definida a partir das informações genéticas obtidas do câncer de cada paciente, em vez de utilizar uma formulação única para todos os casos.
Outros tratamentos também estão em desenvolvimento
A pesquisa russa na área de oncologia inclui outras estratégias além das vacinas individualizadas de mRNA.
Entre elas estão as vacinas peptídicas, desenvolvidas a partir de versões sintéticas de antígenos associados às células tumorais. Um dos projetos citados pelos pesquisadores é o Oncopept, voltado ao tratamento do câncer colorretal.
Outra linha utiliza vírus oncolíticos, modificados para atingir células malignas. O EnteroMix está entre os tratamentos desenvolvidos com essa tecnologia.
O Centro Nacional de Pesquisa Médica de Radiologia também informa que ferramentas de inteligência artificial são empregadas na identificação de mutações genéticas relacionadas aos tumores. A tecnologia pode auxiliar na análise necessária para o desenvolvimento de tratamentos personalizados.
Tratamento não é uma vacina contra todos os tipos de câncer
Apesar dos avanços anunciados pelos pesquisadores russos, a NeoOncovac possui uma indicação específica e não deve ser confundida com uma vacina universal contra o câncer.
O tratamento foi autorizado para um grupo determinado de pacientes adultos com melanoma inoperável ou metastático. Os resultados iniciais divulgados até o momento também não significam que a tecnologia tenha demonstrado eficácia contra todos os tipos de câncer.
A utilização clínica da vacina representa uma das estratégias pesquisadas para tentar personalizar o tratamento oncológico de acordo com as características de cada tumor.
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