O Grindr concordou em pagar 26 milhões de libras esterlinas, cerca de R$ 180 milhões pela cotação atual, para encerrar uma ação coletiva no Reino Unido que colocou no centro da discussão a forma como o aplicativo tratou informações sensíveis de seus usuários.
O processo foi apresentado em 2024 em nome de aproximadamente 12 mil pessoas e questionava práticas adotadas até o início de 2020. Segundo os autores, informações pessoais teriam sido repassadas a empresas terceirizadas sem consentimento adequado. Entre os dados mencionados na ação estão, em alguns casos, o status de HIV e a data do último teste informados pelos próprios usuários na plataforma.
O acordo encerra a disputa antes de uma decisão judicial sobre o mérito das acusações. Em documento encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC), o Grindr afirmou que contesta as alegações e não admite responsabilidade. A companhia, no entanto, disse reconhecer a angústia e a perda de confiança manifestadas por usuários britânicos em relação às práticas daquele período.
Os 26 milhões de libras serão pagos em duas etapas. A primeira parcela, de 13 milhões de libras, vence até o fim deste ano; a segunda, no mesmo valor, deverá ser quitada até 31 de março de 2027. O documento oficial não detalha quanto caberá individualmente a cada participante da ação.
Questionamentos sobre privacidade começaram anos antes
A controvérsia não surgiu agora. Em 2018, o Grindr anunciou que deixaria de compartilhar informações relacionadas ao HIV com empresas terceirizadas depois que pesquisadores revelaram que esse tipo de dado era enviado a prestadores de serviços externos.
O período abrangido pela ação britânica também antecede uma mudança importante no controle da companhia. Até 2020, o aplicativo pertencia ao conglomerado chinês Kunlun. Naquele ano, foi vendido a novos proprietários após autoridades dos Estados Unidos levantarem preocupações de segurança nacional envolvendo o acesso a informações dos usuários. Dois anos depois, o Grindr passou a ser negociado na Bolsa de Nova York.
A empresa afirma que, desde a mudança de controle, reformulou seu programa de privacidade e adotou novas práticas para dar mais transparência e controle sobre as informações mantidas pela plataforma.
O histórico do Grindr com autoridades de proteção de dados, porém, inclui outro episódio relevante. Na Noruega, a empresa recebeu uma multa milionária por compartilhar informações de usuários com parceiros de publicidade sem consentimento considerado válido. A punição foi mantida após recurso. Esse processo é independente da ação encerrada agora no Reino Unido.
No caso britânico, o pagamento milionário resolve a disputa financeira e judicial, mas não estabelece que as acusações contra o aplicativo tenham sido comprovadas. O ponto central permanece essa distinção: há um acordo confirmado de 26 milhões de libras, mas não houve decisão da Justiça concluindo que o Grindr compartilhou ilegalmente o status de HIV dos 12 mil autores da ação.
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