Dez anos após a saída de Dilma Rousseff da Presidência, o impeachment de 2016 continua sendo considerado um dos principais pontos de virada da política brasileira recente. O processo terminou em 31 de agosto daquele ano, quando o Senado decidiu pela perda definitiva do mandato da petista. Michel Temer, que já ocupava a Presidência de forma interina desde maio, assumiu o cargo definitivamente.
A crise que culminou no impeachment vinha se formando nos anos anteriores. Em 2013, as Jornadas de Junho levaram milhões de pessoas às ruas em diferentes cidades. No ano seguinte, Dilma foi reeleita em uma disputa apertada contra Aécio Neves (PSDB), com cerca de 54 milhões de votos contra 51 milhões do tucano.
Como aconteceu o impeachment
O processo começou oficialmente em 2 de dezembro de 2015, quando Eduardo Cunha, então presidente da Câmara dos Deputados, aceitou um pedido apresentado por Miguel Reale Júnior, Janaína Paschoal e Hélio Bicudo.
As acusações estavam relacionadas às chamadas pedaladas fiscais e a decretos envolvendo as contas públicas. Em abril de 2016, a Câmara autorizou a abertura do processo por 367 votos a 137.
No mês seguinte, o Senado aprovou o afastamento temporário de Dilma. O julgamento definitivo ocorreu em agosto, quando os senadores decidiram pela perda do mandato presidencial.
Governo Temer trouxe mudanças econômicas e trabalhistas
Com Temer no Palácio do Planalto, o país passou por uma série de mudanças. Em dezembro de 2016, foi promulgada a Emenda Constitucional 95, que criou um limite para o crescimento das despesas federais.
No ano seguinte, o Congresso aprovou a possibilidade de terceirização de todas as atividades das empresas e também a reforma trabalhista. A legislação alterou mais de 200 pontos das regras trabalhistas, incluindo o trabalho intermitente e aspectos das negociações entre empregadores e trabalhadores.
A reforma da Previdência também entrou na agenda do período. A proposta apresentada pelo governo Temer não avançou em 2018, mas uma nova reforma foi aprovada durante o governo Jair Bolsonaro e promulgada em 2019.
Eleição de Bolsonaro mudou o cenário político
A eleição de Jair Bolsonaro em 2018 aprofundou as transformações iniciadas após o impeachment. O PSDB perdeu espaço na disputa presidencial, enquanto forças políticas de direita ganharam maior protagonismo no cenário nacional.
Nos anos seguintes, o Brasil ainda enfrentou a pandemia de Covid-19, inflação e aumento da insegurança alimentar. Entre fevereiro de 2019 e fevereiro de 2022, o valor da cesta básica em São Paulo passou de R$ 482,40 para R$ 715,65.
Em 2022, levantamento apontou que 125,2 milhões de brasileiros viviam em domicílios com algum nível de insegurança alimentar, enquanto 33,1 milhões enfrentavam situação de fome.
Um marco que ainda divide opiniões
Uma década depois, o impeachment de Dilma Rousseff continua sendo um episódio central para entender a trajetória política brasileira. A saída da presidente, a chegada de Temer ao poder e as mudanças implementadas nos anos seguintes alteraram o cenário nacional e contribuíram para uma sequência de transformações que alcançou a política, a economia, o mercado de trabalho e a vida social do país.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Estado do Rio.











