A menos de 40 dias do primeiro turno das eleições, um teste realizado pela Anistia Internacional Brasil acendeu um alerta sobre a capacidade do Facebook de identificar anúncios com informações falsas sobre o processo eleitoral.
O experimento analisou 15 anúncios escritos em português e direcionados a brasileiros em idade de votar. Desse total, 14 apresentavam desinformação eleitoral e um tinha conteúdo neutro. Segundo a organização, oito anúncios com informações falsas foram aceitos pelo sistema da plataforma.
Os conteúdos não chegaram a ser exibidos aos usuários. A própria Anistia Internacional programou as publicações para uma data futura e cancelou os anúncios antes que entrassem no ar. A intenção era testar os mecanismos usados pelo Facebook para analisar publicidade relacionada às eleições.
Conteúdos questionavam eleição e sistema de votação
Os anúncios usados no teste reproduziam tipos de desinformação que costumam circular nas redes sociais durante períodos eleitorais.
Parte deles apresentava acusações falsas contra candidatos e instituições, além de questionamentos sobre a segurança do sistema de votação. Outros traziam informações incorretas sobre a data da eleição, a forma de votar e os candidatos que participariam da disputa.
Também foram incluídos conteúdos que defendiam medidas autoritárias, atacavam adversários políticos ou colocavam em dúvida a legitimidade das eleições.
De acordo com a Anistia Internacional, os 14 anúncios com desinformação contrariavam as regras da própria Meta sobre informações falsas capazes de interferir em eleições.
Anúncios não foram barrados por desinformação
O levantamento mostrou que oito anúncios foram aprovados. Os outros sete, incluindo o anúncio neutro, ficaram sujeitos à verificação de identidade porque tratavam de temas políticos, sociais ou eleitorais.
Segundo a organização, esses anúncios não foram impedidos de avançar por causa das informações falsas presentes no conteúdo. A restrição ocorreu porque a conta responsável ainda precisava concluir a identificação exigida para anunciantes políticos.
Para a diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil, Jurema Werneck, o resultado mostra que o sistema de moderação da Meta não conseguiu identificar mais da metade dos anúncios com desinformação enviados durante o experimento.
A entidade avalia que possíveis falhas desse tipo podem facilitar a circulação de informações enganosas e afetar a confiança da população nas eleições.
Meta contesta resultado do experimento
A Meta, empresa responsável pelo Facebook, contestou as conclusões apresentadas pela Anistia Internacional.
A companhia afirmou que o levantamento utilizou uma amostra pequena e ressaltou que nenhum dos anúncios chegou a ser publicado ou visualizado por usuários. A empresa também questionou a metodologia empregada no experimento.
Mesmo com o posicionamento da Meta, o resultado reforça o debate sobre a responsabilidade das plataformas digitais no combate à desinformação, principalmente durante o período eleitoral.
Com a aproximação da votação e o início da propaganda eleitoral, cresce a atenção sobre notícias falsas divulgadas em redes sociais e aplicativos de mensagens. Informações sobre candidatos, locais de votação, horários e regras da eleição devem ser conferidas nos canais oficiais da Justiça Eleitoral.
*Da Agência Fonte Exclusiva











