O governo brasileiro acompanha, como observador, as audiências públicas iniciadas nesta segunda-feira (6), em Washington, que discutem a proposta dos Estados Unidos de aplicar novas tarifas sobre produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, representantes da embaixada do Brasil nos Estados Unidos estarão presentes nas sessões, mas o país decidiu não participar dos debates com manifestações formais. A avaliação do governo é que o espaço tem caráter consultivo e não é o ambiente apropriado para negociações, que seguem sendo conduzidas por canais técnicos e diplomáticos entre os dois países.
As audiências integram a investigação comercial aberta pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da legislação norte-americana. O procedimento analisa aspectos da política comercial brasileira, incluindo comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, estrutura tarifária, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e medidas relacionadas ao desmatamento ilegal.
Os encontros acontecem na Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos, em Washington, nesta segunda-feira (6) e terça-feira (7), reunindo representantes de empresas, entidades de classe e organizações brasileiras e norte-americanas.
No primeiro dia de debates, participam representantes dos setores de arroz, café, açúcar, agropecuária, mel, vestuário, alimentos, etanol, madeira e propriedade intelectual. Entre os confirmados estão integrantes da Associação Brasileira da Indústria do Arroz, do Cecafé, da Associação Brasileira da Propriedade Intelectual e da Unica, além do jornalista Paulo Figueiredo.
A programação da terça-feira será voltada aos segmentos da indústria, siderurgia, mineração, máquinas, papel e celulose, alumínio, cerâmica, calçados e rochas naturais. Também devem participar representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Abicalçados, da Fiesp, da CSN, da WEG, da Klabin e de outras entidades empresariais, além do senador Flávio Bolsonaro.
Paralelamente às audiências, o governo brasileiro continua buscando uma solução negociada antes do prazo previsto para 15 de julho. Integrantes do Executivo informaram que o Brasil já apresentou uma proposta em resposta aos seis pontos levantados pelas autoridades norte-americanas e aguarda um posicionamento oficial de Washington.
Nos bastidores, a expectativa é de que um eventual entendimento resulte na redução das tarifas ou na criação de exceções para determinados produtos brasileiros, já que integrantes do governo consideram pouco provável a retirada integral das medidas.
Também há a avaliação de que os documentos que fundamentaram a investigação, aberta em julho de 2025, e a recomendação das tarifas divulgada em junho de 2026 apresentam poucas alterações em seu conteúdo.
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