O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a ganhar protagonismo nas conversas da direita sobre as eleições de 2026 no Rio de Janeiro. Nos bastidores, integrantes do União Brasil defendem que o parlamentar seja convencido a disputar o Governo do Estado, em vez de manter como prioridade a pré-candidatura à Presidência da República.
A movimentação ocorre em meio às incertezas sobre a montagem da chapa conservadora no estado. Aliados avaliam que Flávio teria capital político para reunir partidos da direita, reduzir divisões internas e fortalecer o palanque bolsonarista no Rio, considerado uma das bases eleitorais mais importantes do grupo.
Em fevereiro, uma reunião entre Flávio Bolsonaro e Cláudio Castro havia definido um primeiro desenho para a disputa estadual. Na ocasião, Douglas Ruas aparecia como nome do PL para o Governo do Rio, enquanto o PP ficaria com a vice e o União Brasil teria espaço na disputa por uma vaga ao Senado.
Desde então, porém, o cenário passou por mudanças e novas tensões. Setores próximos a Flávio demonstraram preocupação com o possível desgaste eleitoral causado por investigações e problemas políticos envolvendo aliados do antigo grupo de Cláudio Castro. A avaliação é que qualquer crise no entorno da chapa pode afetar diretamente o desempenho do campo bolsonarista no estado.
É nesse contexto que o União Brasil tenta ampliar seu peso na negociação. Para dirigentes da legenda, uma candidatura de Flávio ao Palácio Guanabara teria potencial para reorganizar a direita fluminense, dar mais competitividade à chapa e evitar uma disputa fragmentada entre aliados.
A estratégia, no entanto, enfrenta obstáculos. Flávio Bolsonaro vem sendo tratado pelo PL como nome de projeção nacional para 2026. Nos últimos dias, o senador reforçou sua pré-candidatura presidencial ao apresentar uma agenda voltada para a segurança pública, tema considerado central para mobilizar o eleitorado conservador.
Caso aceite disputar o Governo do Rio, o senador obrigaria o PL a rever sua estratégia nacional. A legenda teria de buscar outro nome para a corrida presidencial ou renegociar alianças com partidos do Centrão. Ao mesmo tempo, sua entrada na disputa estadual poderia transformar a eleição fluminense em uma das principais vitrines do bolsonarismo no país.
Nos bastidores, a decisão ainda depende de pesquisas, acordos partidários e da posição do ex-presidente Jair Bolsonaro, que segue exercendo influência direta sobre os rumos do grupo político. Enquanto isso, PL, União Brasil e PP continuam negociando espaços na chapa, em uma disputa que envolve governo estadual, Senado e projeto presidencial.
Por enquanto, Flávio Bolsonaro não confirmou qualquer mudança de rota. Mas a pressão do União Brasil mostra que a eleição no Rio de Janeiro permanece aberta e que o senador passou a ser visto não apenas como articulador, mas também como possível protagonista na disputa pelo Palácio Guanabara.
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