O Rio de Janeiro precisa ampliar os investimentos em infraestrutura cicloviária e democratizar o acesso às ciclovias para fortalecer a mobilidade urbana sustentável.
A avaliação é de especialistas da área de transportes que, neste Dia Mundial da Bicicleta, celebrado em 3 de junho, destacam a importância de tornar a bicicleta uma alternativa cada vez mais acessível para a população.
Apesar de possuir uma das maiores redes cicloviárias do Brasil, a capital fluminense ainda enfrenta desafios relacionados à expansão da malha, à segurança dos ciclistas e à integração da bicicleta com outras formas de transporte urbano.
Pesquisadores apontam que grande parte dos investimentos históricos foi concentrada em áreas mais valorizadas da cidade, especialmente na Zona Sul, enquanto regiões periféricas continuam com infraestrutura insuficiente para atender quem utiliza a bicicleta como meio de transporte diário.
Segundo especialistas, a bicicleta deve ser incorporada de forma mais efetiva aos planos de mobilidade urbana e às estratégias de sustentabilidade ambiental.
A proposta é que o modal seja visto não apenas como uma opção de lazer ou turismo, mas também como uma ferramenta de inclusão social, redução das desigualdades e promoção da justiça climática.
A história da infraestrutura cicloviária carioca começou nos anos 1990, com a implantação dos primeiros trechos de ciclovias dentro do projeto Rio Orla.
A realização da conferência ambiental Eco-92 também impulsionou iniciativas voltadas à mobilidade sustentável, contribuindo para a expansão da rede cicloviária ao longo das décadas seguintes.
Além da ampliação da infraestrutura, especialistas defendem investimentos em educação para o trânsito.
A conscientização de ciclistas, motoristas e usuários de bicicletas elétricas e ciclomotores é considerada fundamental para reduzir acidentes e melhorar a convivência entre os diferentes modais que compartilham as vias urbanas.
A data também foi marcada pela participação do escritor argentino Juan Carlos Kriemer no Rio de Janeiro, onde lançou o livro Zen Ciclismo, a Bicicleta como Caminho.
Defensor do uso da bicicleta como instrumento de transformação social e ambiental, Kriemer destaca que pedalar fortalece a conexão das pessoas com a cidade, promove bem-estar e contribui para uma mobilidade mais humana.
O Dia Mundial da Bicicleta foi instituído pela Organização das Nações Unidas em 2018, após mobilização liderada pelo sociólogo Leszek J. Sibilski.
Desde então, a data tem sido utilizada para incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte sustentável, acessível e saudável.
Especialistas ressaltam que ampliar o uso da bicicleta traz benefícios que vão além da mobilidade.
Entre os impactos positivos estão a redução da emissão de poluentes, a diminuição dos congestionamentos, a melhoria da saúde física e mental da população e o aumento da qualidade de vida nas cidades.
Para que esses resultados sejam alcançados de forma ampla, defendem investimentos contínuos em infraestrutura, segurança viária e educação no trânsito.
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