O julgamento dos acusados pela morte do menino Henry Borel alcançou um marco histórico nesta segunda-feira (1º).
Ao entrar no oitavo dia consecutivo de sessão, o processo tornou-se o mais longo já realizado pelo Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, mais de quatro anos após o crime que chocou o país.
No banco dos réus estão Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, e Monique Medeiros da Costa e Silva, mãe da criança.
O Ministério Público sustenta que Henry morreu em março de 2021 em decorrência de agressões físicas atribuídas ao então padrasto. Já Monique é acusada de não ter impedido a violência sofrida pelo filho.
Durante a sessão desta segunda-feira, os jurados ouviram o perito Leonardo Huber Tauil, responsável pelo exame cadavérico realizado no Instituto Médico-Legal.
Em seu depoimento, ele reafirmou que a causa da morte foi uma hemorragia interna provocada por uma grave lesão no fígado causada por impacto contundente.
O especialista informou que participou de revisões do laudo pericial e também esteve no apartamento onde os fatos ocorreram.
Segundo ele, a inspeção do local não identificou móveis ou estruturas que sustentassem a versão apresentada inicialmente pelos acusados, de que a criança teria sofrido os ferimentos em consequência de uma queda.
Questionado pela defesa sobre informações incorretas registradas no documento pericial, como a identificação da unidade hospitalar de origem do corpo e a descrição da cor dos olhos da vítima, o perito afirmou que os equívocos ocorreram durante o preenchimento do laudo e não alteram as conclusões técnicas do exame.
Ao longo da apresentação de fotografias utilizadas na perícia, Monique Medeiros deixou temporariamente o plenário.
A situação repetiu um episódio semelhante ocorrido em audiência anterior, quando imagens relacionadas ao caso também foram exibidas.
Desde o início do julgamento, dezenas de testemunhas foram ouvidas pelo Conselho de Sentença. Entre elas estão médicos, peritos, investigadores, ex-companheiras de Jairinho, familiares dos envolvidos, funcionários do condomínio onde o casal morava e a babá de Henry.
Um dos depoimentos que mais repercutiram foi o de Thayná de Oliveira Ferreira, que trabalhava como babá da criança. Em seu relato, ela afirmou ter comunicado à mãe de Henry suspeitas de agressões e declarou que, após a morte do menino, recebeu orientação para apagar mensagens trocadas com Monique.
A expectativa é que a fase de depoimentos seja encerrada ainda nesta segunda-feira. Caso o cronograma seja mantido, os interrogatórios dos réus ocorrerão na terça-feira (2), com Monique sendo ouvida antes de Jairinho, conforme determinação judicial.
As alegações finais da acusação e das defesas estão previstas para quarta-feira (3). Após essa etapa, os sete jurados que compõem o Conselho de Sentença responderão aos quesitos formulados pela Justiça e decidirão, em votação sigilosa, pela condenação ou absolvição dos acusados.
O julgamento é presidido pela juíza Elizabeth Machado Louro, que será responsável por fixar a pena caso haja condenação pelos crimes analisados pelos jurados.
A decisão final é aguardada entre a noite de quarta-feira e a madrugada de quinta-feira (4), encerrando um dos julgamentos de maior repercussão da história recente da Justiça brasileira.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.












