Uma mobilização realizada em Salvador, na Bahia, colocou em evidência um alerta que já preocupa especialistas, ambientalistas e produtores rurais: os acontecimentos podem desaparecer do Brasil nas próximas décadas. O protesto, marcado por um grande jumento inflável e cartazes de conscientização, pedia o fim do abate desses animais e maior proteção legal à espécie.
Segundo dados de entidades de defesa animal e pesquisadores, o país já perdeu cerca de 94% da população de jumentos desde a década de 1990. Esse declínio acentuado está diretamente ligado ao aumento do abate para exportação da pele, utilizado na produção de uma gelatina medicinal conhecida como “ejiao”, muito demandada no mercado internacional.
Entre 2018 e 2024, cerca de 248 mil jumentos foram abatidos apenas na Bahia, estado que concentra frigoríficos autorizados para esse tipo de atividade. O modelo, classificado pelos especialistas como “extrativista”, preocupa-se em não garantir a ordem da espécie, já que o número de animais abatidos supera o de nascimentos.
Importância histórica e cultural
O jumento, cientificamente conhecido como Equus africanus asinus , tem papel fundamental na formação econômica e cultural do Brasil, especialmente no Nordeste. Durante séculos, foi essencial no transporte de cargas, no trabalho agrícola e na sobrevivência de comunidades rurais em regiões semiáridas.
Com a mecanização do campo e a substituição por veículos motorizados, o animal perdeu espaço econômico, o que também contribuiu para o abandono e a redução populacional.
Contradição nos números e debate atual
Apesar do alerta de extinção, há divergências sobre o tamanho atual da população. Um levantamento internacional recente aponta que o Brasil ainda possui mais de 730 mil jumentos.
Ainda assim, os especialistas destacam que o problema não está apenas no número absoluto, mas na velocidade da redução histórica e na falta de políticas públicas estruturadas para preservação da espécie.
Pressão política e propostas em discussão
A manifestação na Bahia também teve como objetivo impulsionar o Congresso Nacional pela aprovação de projetos de lei que proíbam o abatimento de juros para exportação. Organizações defendem alternativas sustentáveis, como:
- uso na agricultura familiar
- valorização como patrimônio genético nacional
- criação para produção de leite e turismo rural
Além disso, pesquisadores apontam que já existem tecnologias capazes de produzir colágeno em laboratório, o que poderia substituir a necessidade do abate.
Risco ambiental e social
O desaparecimento dos julgamentos não representa apenas uma perda ambiental. Especialistas alertam que as comunidades rurais, especialmente no Nordeste, podem ser diretamente afetadas, já que o animal ainda é utilizado como meio de subsistência em áreas mais vulneráveis.
A redução drástica da espécie também ameaça um patrimônio cultural histórico do Brasil, ligado à identidade do sertão.
O debate sobre os julgamentos no Brasil se insere em uma discussão global. Relatórios internacionais apontam que cerca de 5,9 milhões de jumentos são abatidos anualmente no mundo para abastecer o mercado de produtos derivados da pele.
Diante desse cenário, os especialistas defendem uma resposta urgente, com regulação mais rígida, fiscalização e incentivo à preservação da espécie.
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