Um estudo do Instituto de Economia do Trabalho (IZA) indica que a redução da jornada de trabalho não gerou impactos negativos significativos no desempenho econômico de países europeus que adotaram a medida.
A pesquisa analisou dados de França, Itália, Bélgica, Portugal e Eslovênia entre 1995 e 2007. Segundo o levantamento, não houve queda relevante no Produto Interno Bruto (PIB) nem no nível de emprego após as reformas que reduziram o tempo de trabalho.
Os pesquisadores também identificaram efeitos positivos, ainda que considerados modestos, sobre salários por hora e valor adicionado por trabalhador. Durante o período estudado, os países mantiveram crescimento econômico mesmo com jornadas menores.
De acordo com o estudo, o aumento do custo por hora trabalhada — resultado da redução da jornada sem redução salarial — foi absorvido pelas economias analisadas sem gerar distorções significativas no mercado de trabalho.
Os resultados, no entanto, não confirmam a chamada teoria da “partilha do trabalho”, que sugere que a redução da jornada levaria automaticamente à criação de mais vagas. Segundo os autores, não há evidências de que isso tenha ocorrido de forma expressiva.
Por outro lado, a pesquisa também não sustenta a tese de que a diminuição da carga horária cause perda de empregos, argumento frequentemente utilizado em debates contrários à medida.
Os estudiosos comparam ainda os efeitos dessas políticas a aumentos de salário mínimo, indicando que não foram observados impactos negativos relevantes no emprego.
Além dos aspectos econômicos, o relatório destaca fatores relacionados ao bem-estar dos trabalhadores. Jornadas menores podem ampliar o tempo livre, melhorar a qualidade de vida e, ao mesmo tempo, favorecer ganhos de produtividade e ajudar empresas na retenção de profissionais.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.












