Os preços internacionais dos alimentos voltaram a subir em março, registrando o segundo aumento consecutivo em meio a um cenário global marcado por instabilidade geopolítica e encarecimento da energia.
O alerta foi divulgado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, que monitora mensalmente o comportamento das principais commodities agrícolas no mundo.
Segundo o relatório, o Índice de Preços de Alimentos avançou 2,4% na comparação com fevereiro. O principal destaque foi o grupo dos óleos vegetais, que apresentou alta de 5,1%, acumulando três meses seguidos de valorização e exercendo forte influência sobre o resultado geral.
A elevação dos preços está ligada, sobretudo, ao conflito no Oriente Médio, que vem pressionando os custos globais de energia. Esse movimento impacta diretamente a produção agrícola, já que insumos essenciais, como fertilizantes, também se tornam mais caros, elevando o custo final dos alimentos.
O economista-chefe da FAO, Maximo Torero, alertou para possíveis consequências caso o cenário persista.
De acordo com ele, a continuidade das tensões por um período prolongado, somada aos custos elevados, pode levar produtores a reduzir áreas de plantio ou optar por culturas menos dependentes de fertilizantes. Essa mudança tende a afetar as próximas safras, com impacto direto na oferta e nos preços ao longo deste ano e de 2026.
Outros produtos também registraram aumentos significativos. O açúcar subiu 7,2% em março, influenciado principalmente por expectativas relacionadas ao Brasil.
A possibilidade de maior uso da cana-de-açúcar para a produção de etanol, impulsionada pelos altos preços do petróleo, pode reduzir a oferta global do produto e pressionar ainda mais as cotações.
No setor de carnes, o avanço foi mais moderado, com alta de 1%. O desempenho foi puxado pela valorização da carne suína na União Europeia e da carne bovina no Brasil, refletindo fatores regionais de oferta e demanda.
Apesar das pressões recentes, há um sinal positivo no horizonte. A FAO revisou para cima a estimativa da produção mundial de cereais para 2025, projetando uma safra recorde de 3,036 bilhões de toneladas.
Ainda assim, a combinação de conflitos, custos elevados e incertezas no campo mantém o mercado global de alimentos sob um cenário de volatilidade.
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