Uma operação nacional voltada ao combate de irregularidades no mercado de combustíveis ganhou força nesta semana.
Batizada de “Vem Diesel”, a ação mobiliza diferentes órgãos públicos para fiscalizar postos suspeitos de práticas abusivas, como aumento injustificado de preços e formação de cartel.
Coordenada pela Polícia Federal, a operação ocorre simultaneamente em 12 capitais brasileiras, incluindo Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Curitiba, Belo Horizonte e Porto Alegre.
A iniciativa conta ainda com a participação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), dos Procons estaduais e da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon).
O foco principal é identificar aumentos indevidos nos preços do diesel e investigar possíveis acordos ilegais entre postos para uniformizar valores, prejudicando a livre concorrência. Quando há indícios de crimes contra a ordem econômica ou tributária, as investigações passam a ser conduzidas pela Polícia Federal.
A operação ocorre em um momento de forte pressão sobre os preços dos combustíveis no Brasil, especialmente do diesel, influenciados por fatores externos, como a escalada de tensões no Oriente Médio. O cenário tem impacto direto nos custos de importação e na formação de preços internos.
Dados do Ministério da Justiça indicam que, desde o início de março, mais de 3 mil postos e 236 distribuidoras já foram fiscalizados em todo o país.
Em uma das inspeções, a ANP identificou um aumento superior a 270% na margem bruta do diesel, levantando suspeitas de abuso econômico.
Apesar das ações do governo federal, como a redução de impostos de importação, autoridades apontam que alguns estabelecimentos mantêm preços elevados, inclusive em combustíveis que não sofreram impacto direto do cenário internacional, como gasolina e etanol.
Em nota, o Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes no Distrito Federal afirmou que os postos não compram diretamente da Petrobras, e que os valores já chegam reajustados pelas distribuidoras, refletindo a dependência de importações.
Segundo a entidade, essa dinâmica pode influenciar significativamente o preço final ao consumidor.
A operação segue em andamento e novas fiscalizações devem ocorrer nos próximos dias, com o objetivo de coibir abusos e garantir maior transparência no mercado de combustíveis.
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