O deputado estadual cassado Rodrigo Bacellar, do União Brasil, foi preso nesta sexta-feira (27) pela Polícia Federal durante uma operação em Teresópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro. A ação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e integra a terceira fase da Operação Unha e Carne.
Após ser detido em sua residência, Bacellar foi conduzido à Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro. Os agentes também cumpriram mandados de busca e apreensão no local.
Segundo informações da Polícia Federal, a operação está relacionada às determinações da ADPF 635/RJ, conhecida como “ADPF das Favelas”, que impõe diretrizes para atuação das forças de segurança e reforça a necessidade de investigação sobre vazamentos de informações em operações contra o crime organizado.
Esta não é a primeira vez que Bacellar é alvo das autoridades. Em dezembro, ele já havia sido preso sob suspeita de repassar dados sigilosos de uma operação policial contra o Comando Vermelho. Na ocasião, foi liberado poucos dias depois mediante medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
A nova prisão ocorre em meio a um cenário político delicado. Nesta semana, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a cassação do mandato de Bacellar, no âmbito das investigações sobre o escândalo da Ceperj — esquema que também atingiu o ex-governador Cláudio Castro.
Com a decisão, será realizada a retotalização dos votos das eleições de 2022 no estado do Rio de Janeiro. O procedimento pode alterar a composição da Assembleia Legislativa (Alerj), já que os votos atribuídos ao parlamentar serão excluídos do cálculo eleitoral. A recontagem está prevista para a próxima terça-feira (31).
Denúncia da PGR
No dia 16 deste mês, a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Bacellar por suposto envolvimento no vazamento de informações confidenciais para integrantes do Comando Vermelho.
De acordo com a denúncia, os dados teriam sido repassados ao então deputado estadual Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, apontado como alvo de uma operação da Polícia Federal.
Além de Bacellar, também foram denunciados um desembargador federal, Macário Neto, e outras pessoas. A PGR sustenta que as informações vazadas teriam origem dentro do sistema judiciário, o que agrava a gravidade do caso.
O episódio amplia a crise política no Rio de Janeiro e levanta questionamentos sobre a atuação de agentes públicos em investigações sensíveis ligadas ao crime organizado.
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