Dados apresentados à CPI do Crime Organizado nesta terça-feira (24) revelam números alarmantes sobre a violência armada no Rio de Janeiro na última década.
Segundo levantamento do Instituto Fogo Cruzado, foram registradas 1.389 vítimas de bala perdida, 192 crianças baleadas e 359 chacinas no período.
A fundadora da entidade, Cecília Oliveira, atribuiu o avanço do crime organizado à ausência do Estado e à conivência de agentes públicos. Ela destacou que o problema não se limita às forças policiais, envolvendo diferentes esferas do poder público que deixam de fiscalizar ou ignoram irregularidades.
Outro ponto destacado foi a expansão das milícias nas últimas duas décadas, com aumento superior a 300% em áreas controladas diretamente e mais de 500% considerando regiões sob influência indireta desses grupos.
Segundo Oliveira, o enfrentamento do crime exige atuação coordenada em nível nacional. Ela ressaltou que organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho expandem operações dentro e fora do país, enquanto políticas de segurança pública permanecem fragmentadas, dificultando o combate efetivo.
Na mesma sessão, a comissão ouviria Belline Santana, mas ele foi dispensado por decisão do ministro André Mendonça.
Santana alegou impossibilidade de deslocamento por estar em São Paulo sob monitoramento eletrônico.
Santana é investigado na Operação Compliance Zero, sob suspeita de atuar como consultor informal de Daniel Vorcaro, e foi afastado do cargo junto a outro ex-dirigente do banco, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
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