Uma operação do Batalhão de Operações Policiais Especiais no Morro dos Prazeres, na região central do Rio de Janeiro, passou a ser alvo de investigação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro após resultar em oito mortes, incluindo a de um morador sem antecedentes criminais.
Na quinta-feira (19), promotores e peritos estiveram na residência de Leandro Silva Sousa, de 30 anos, que foi atingido por um disparo de fuzil na nuca enquanto dormia ao lado da esposa.
De acordo com as apurações iniciais, traficantes teriam invadido o imóvel durante fuga da ação policial. Leandro trabalhava como ajudante de padaria e não possuía histórico criminal.
Perícia e coleta de provas
Durante a perícia, o imóvel foi submetido a uma varredura técnica detalhada, com uso de scanner e registros fotográficos. Foram identificados vestígios como marcas de tiros, cápsulas de munição, sangue e fragmentos corporais.
O material recolhido será analisado para elaboração de laudo que deve esclarecer a dinâmica da ocorrência.
Além disso, o Ministério Público solicitou as imagens das câmeras corporais utilizadas pelos agentes do BOPE que participaram da operação.
A medida ocorre em meio a questionamentos sobre o uso e funcionamento desses equipamentos em ações policiais.
Investigação e contexto
Os promotores também acompanharam as necropsias realizadas no Instituto Médico Legal Afrânio Peixoto. Ao todo, oito pessoas morreram durante a operação.
A Polícia Militar informou que sete das vítimas seriam suspeitas de envolvimento com o crime organizado.
O caso ocorre em um cenário de debate crescente sobre a letalidade policial no estado.
A investigação conduzida pelo Ministério Público busca esclarecer responsabilidades, avaliar a legalidade da ação e identificar possíveis falhas operacionais ou uso excessivo da força.
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