A intensificação do conflito envolvendo o Irã pode gerar impactos significativos na economia global, especialmente no setor agrícola, caso se prolongue por mais de três meses.
O alerta foi feito por Maximo Torero, economista-chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura.
Segundo Torero, uma guerra prolongada tende a comprometer cadeias logísticas e elevar os preços de insumos essenciais, como fertilizantes.
A estimativa é de aumento entre 15% e 20% ainda no primeiro semestre, o que pode pressionar os custos de produção agrícola e impactar diretamente os preços dos alimentos em nível global.
Estreito de Ormuz e gargalos logísticos
Um dos principais pontos de preocupação é o Estreito de Ormuz, responsável pelo escoamento de cerca de 20% do petróleo mundial e uma parcela relevante do comércio de fertilizantes.
A instabilidade na região já provoca interrupções logísticas, com retenção estimada entre 3 e 4 milhões de toneladas desses insumos.
Países como Arábia Saudita, Omã e o próprio Irã têm papel estratégico nesse mercado, sendo grandes exportadores de ureia e amônia — componentes fundamentais para a produção agrícola global.
Energia mais cara e efeito inflacionário
O conflito também tem ampliado a volatilidade no mercado de energia. O preço do barril de petróleo já ultrapassou os US$ 100, com picos próximos de US$ 120, refletindo as incertezas sobre oferta e transporte.
Esse cenário eleva custos logísticos e produtivos em diversos setores, ampliando o risco de inflação global.
Diante desse contexto, a FAO reforça a necessidade de evitar uma escalada prolongada do conflito e buscar rotas alternativas de transporte, ainda que menos eficientes.
Segundo o organismo, a continuidade da crise pode gerar efeitos duradouros sobre a segurança alimentar mundial, afetando principalmente países mais dependentes de importações.
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