Um grupo de pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP) apresentou um modelo inovador que promete aumentar a estabilidade dos computadores quânticos, protegendo informações contra erros e interferências.
O estudo, divulgado pela Agência FAPESP, investiga o uso de férmions de Majorana, quase-partículas presentes em materiais supercondutores, como forma de armazenar dados de maneira mais segura.
Diferentemente dos qubits tradicionais, que são altamente sensíveis a ruídos, os estados de Majorana armazenam informações de forma distribuída, criando uma proteção natural. Essa abordagem abre a possibilidade de construir qubits topológicos, capazes de operar com menos falhas e maior confiabilidade.
A pesquisa utilizou o modelo conhecido como cadeia de Kitaev, que organiza pontos quânticos para controlar os estados de Majorana. Ao ampliar o número de pontos na cadeia, os cientistas identificaram regiões chamadas “ilhas topológicas”, nas quais os dados permanecem protegidos de forma intrínseca, mesmo em sistemas maiores.
Segundo a pesquisadora Poliana Heiffig Penteado, líder do estudo, a técnica reduz a dependência de ajustes manuais e controles complexos que eram necessários em dispositivos menores. A equipe também propõe um método experimental baseado na medição da condutância elétrica para diferenciar sinais autênticos de Majorana de interferências externas.
Publicado na revista Physical Review B, o trabalho envolveu a colaboração do professor José Carlos Egues de Menezes e do ex-doutorando Rodrigo Abreu Dourado, e já desperta interesse de laboratórios internacionais, sinalizando avanços promissores na computação quântica.
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