O Bitcoin recuou para a faixa de US$ 60 mil nesta quinta-feira, atingindo o menor nível desde outubro de 2024 e apagando integralmente os ganhos acumulados após a vitória eleitoral de Donald Trump, em novembro do ano passado. A queda representa uma desvalorização superior a 50% em relação ao pico histórico de US$ 126.080 registrado em outubro de 2025.
O movimento de baixa se intensificou ao longo da quinta e seguiu na sexta-feira, com a principal criptomoeda do mercado chegando a cair até 17% em apenas 24 horas. Trata-se do maior recuo diário desde o colapso da corretora FTX, em novembro de 2022. Dados da Coinglass indicam que as liquidações forçadas somaram US$ 2,67 bilhões no período, sendo a maior parte relacionada a posições compradas altamente alavancadas.
Com o avanço da liquidação, o sentimento do mercado atingiu níveis extremos. O índice Crypto Fear & Greed despencou para a pontuação 5, considerada a mais baixa desde a criação do indicador, em 2023. Desde o topo registrado no início de outubro, o valor total do mercado cripto encolheu cerca de US$ 2 trilhões, passando de US$ 4,37 trilhões para pouco mais de US$ 2,3 trilhões.
Especialistas apontam que a correção reflete uma combinação de fatores macroeconômicos e técnicos. O Ethereum também foi fortemente impactado, caindo abaixo de US$ 1.900 após perdas diárias superiores a 13%, acumulando queda próxima de 38% no ano.
A pressão aumentou após declarações do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, ao Congresso. Questionado sobre uma eventual intervenção estatal no mercado cripto, ele afirmou que o governo não possui autoridade para atuar nesse tipo de resgate, afastando expectativas de suporte institucional.
O cenário também afetou grandes investidores corporativos. A empresa Strategy, maior detentora corporativa de Bitcoin, divulgou prejuízo líquido de US$ 12,4 bilhões no quarto trimestre, impulsionado por perdas contábeis em suas reservas da criptomoeda. As ações da companhia caíram mais de 17% no pregão, acumulando forte desvalorização em relação ao ano anterior.
Outro fator de pressão veio dos fundos negociados em bolsa. Os ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos registraram saídas líquidas superiores a US$ 270 milhões na sessão mais recente, reduzindo o volume total sob gestão. Analistas também destacam preocupações com uma política monetária mais restritiva, diante da expectativa de mudanças no comando do Federal Reserve.
Apesar do cenário adverso, parte do mercado observa o nível extremo de pessimismo como possível sinal de oportunidade, enquanto outros alertam que a correção ainda pode se aprofundar, caso o ambiente macroeconômico permaneça desfavorável.
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