As ações da Amazon sofreram forte queda nesta quinta-feira, apesar de a empresa ter divulgado resultados acima do esperado no quarto trimestre. O movimento negativo foi impulsionado pela reação do mercado à projeção de investimentos de cerca de US$ 200 bilhões em despesas de capital para 2026, além de uma estimativa de lucro operacional inferior às expectativas de analistas para o próximo trimestre.
No balanço do quarto trimestre, a companhia registrou lucro líquido de US$ 21,2 bilhões, equivalente a US$ 1,95 por ação diluída. A receita líquida avançou 14% na comparação anual, refletindo desempenho sólido tanto no comércio eletrônico quanto nos serviços de nuvem.
A divisão Amazon Web Services (AWS) voltou a se destacar, com receita de US$ 35,6 bilhões, alta de 24% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado superou com folga as projeções do mercado e indicou aceleração do crescimento frente ao trimestre anterior.
Mesmo com esses números, os investidores reagiram negativamente ao guidance divulgado pela empresa. Para o primeiro trimestre de 2026, a Amazon estimou lucro operacional entre US$ 16,5 bilhões e US$ 21,5 bilhões, abaixo do consenso de Wall Street. As ações caíram cerca de 4% durante o pregão regular e aprofundaram as perdas no after-hours.
O principal fator de preocupação foi o plano de investimentos anunciado. A empresa informou que pretende elevar seus gastos de capital para aproximadamente US$ 200 bilhões em 2026, um salto significativo em relação aos cerca de US$ 125 bilhões investidos em 2025. A maior parte dos recursos será direcionada à expansão de data centers, desenvolvimento de chips próprios e infraestrutura voltada a aplicações de inteligência artificial.
Segundo a companhia, a decisão reflete a necessidade de atender a uma demanda crescente por soluções de IA, com um backlog estimado em US$ 200 bilhões em cargas de trabalho corporativas ligadas a essa tecnologia. Ainda assim, o volume de investimentos levantou dúvidas entre investidores sobre o impacto no fluxo de caixa e na rentabilidade de curto prazo.
O movimento da Amazon ocorre em meio a uma corrida global das gigantes de tecnologia por liderança em inteligência artificial. Empresas como Alphabet e Meta também anunciaram planos agressivos de investimento, o que tem aumentado a volatilidade no setor e gerado cautela no mercado.
Apesar da reação negativa, o CEO Andy Jassy defendeu a estratégia, afirmando que os aportes são fundamentais para garantir competitividade no longo prazo. Ele citou, entre outros projetos, a expansão da infraestrutura de IA da AWS e o uso de chips próprios Trainium para atender clientes estratégicos.
*Compartilhe este artigo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.











