O Orçamento de 2025 mostrou que a maior parte das emendas parlamentares aprovadas pelo Congresso priorizou gastos imediatos, voltados à compra de máquinas, equipamentos agrícolas, veículos e repasses a instituições assistenciais, culturais e educacionais.
Segundo dados do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop), o total empenhado somou R$ 7,25 bilhões, mas apenas R$ 1,56 bilhão foi efetivamente pago ao longo do ano.
Entre os destaques, R$ 1,04 bilhão foram destinados à aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas e rodoviários, enquanto R$ 898,75 milhões ficaram reservados para veículos de tração mecânica. Instituições privadas de caráter assistencial, cultural e educacional receberam R$ 1,24 bilhão, sem detalhamento claro da distribuição.
No entanto, os pagamentos efetivos foram significativamente menores: R$ 38,1 milhões para máquinas e equipamentos agrícolas, R$ 17 milhões para veículos e R$ 360 milhões para instituições beneficiadas.
Especialistas apontam que a concentração de recursos em despesas de curto prazo reflete uma estratégia eleitoral. “Você entrega isso direto para o eleitor, para a organização, consolidando lealdade e fortalecendo a posição do parlamentar no sistema político”, afirma Marco Antônio Carvalho Teixeira, professor de Ciência Política da FGV.
Leandro Consentino, cientista político do Insper, destaca que a priorização de soluções imediatas prejudica investimentos de longo prazo. “Atacar problemas municipais apenas com emendas parlamentares sem critérios técnicos perpetua demandas e carências que exigem planejamento estruturado”, explica.
Além dos recursos para máquinas e instituições, a maior parte das transferências foi realizada diretamente a Estados, Distrito Federal e municípios, principalmente via transferências fundo a fundo, como pelo Fundo Nacional de Saúde.
Nesse modelo, R$ 21,97 bilhões foram enviados aos municípios e R$ 3,4 bilhões aos Estados, somados a outros repasses diretos de R$ 11,68 bilhões aos municípios e R$ 2,48 bilhões aos Estados.
O levantamento evidencia que a lógica das emendas parlamentares privilegia ações de impacto imediato, muitas vezes em detrimento de investimentos estruturantes que poderiam gerar soluções duradouras para os municípios brasileiros.
*Compartilhe este artigo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.











