A tecnologia tem se consolidado como aliada no cuidado hospitalar, e o CER Leblon, localizado na Gávea, está mostrando como a realidade virtual (VR) pode revolucionar a experiência de pacientes internados.
Com óculos de realidade virtual 360º, os pacientes podem ser transportados para ambientes relaxantes e envolventes — como montanhas, rios e cidades distantes — enquanto realizam exercícios de reabilitação física ou passam por estímulos cognitivos.
O objetivo vai além do conforto: a tecnologia contribui para recuperação funcional, aumenta a adesão às terapias e reduz episódios de delírio, principalmente em pacientes de unidades de terapia intensiva.
Um exemplo é Antônio Santiago Pereira, que sofre de doença pulmonar obstrutiva crônica e relatou sentir-se pedalando por Curitiba durante os exercícios virtuais. Mais de 60 pacientes já participaram da experiência, inspirada em protocolos internacionais aplicados em hospitais universitários da Alemanha, Estados Unidos, Canadá e Japão.
Segundo o diretor do CER Leblon, Berguer Guimarães, estudos indicam que a realidade virtual favorece neuroplasticidade, engajamento e desempenho motor, promovendo melhorias em equilíbrio, função motora e capacidade cardiovascular.
O uso do equipamento é supervisionado por equipe médica e fisioterapêutica, garantindo que o paciente esteja acordado, cooperativo e sem restrições respiratórias, além de apto a sentar-se com controle postural.
Entre os ambientes virtuais disponíveis estão parques, rios, cachoeiras, ciclismo e até viagens internacionais, como aos Emirados Árabes Unidos. Durante as sessões, sinais vitais são monitorados constantemente, e o uso é interrompido se houver qualquer risco.
O caso de Clébio da Silva, paciente cardiológico, evidencia o impacto emocional da tecnologia. Ele descreveu a experiência como uma reconexão com o mundo externo, observando montanhas, riachos e tartarugas, o que ajudou a reduzir ansiedade antes da cirurgia cardíaca.
O CER Leblon faz parte do conceito de saúde 4.0, combinando tecnologia com cuidado humanizado. Além da realidade virtual, a unidade oferece tablets para videochamadas, televisores com informações em tempo real e inteligência artificial para comunicação entre paciente e equipe.
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