O avanço da inteligência artificial está remodelando o mercado imobiliário no Brasil, criando um setor bilionário voltado à construção de data centers. Investidores nacionais e internacionais têm apostado no segmento para atender à crescente demanda por infraestrutura de processamento de dados, segundo reportagem da Folha de S.Paulo neste domingo (21).
De acordo com estimativas da McKinsey citadas pelo jornal, até 2030 serão necessários aproximadamente US$ 7 trilhões (cerca de R$ 38,7 trilhões) em investimentos globais para a construção de data centers, majoritariamente focados em inteligência artificial.
No Brasil, a Associação Brasileira de Data Center (ABDC) projeta a adição de 2.000 megawatts à capacidade atual de 800 MW, com investimentos estimados em US$ 20 bilhões (R$ 110 bilhões).
Um relatório do BTG Pactual aponta que Brasil e Chile possuem condições favoráveis para se tornarem “paraísos” do setor, devido à disponibilidade de energia e infraestrutura adequada. Levantamento da Folha, com base em anúncios de mercado e solicitações ao Ministério de Minas e Energia, identificou sete empresas com projetos acima de 100 MW, incluindo Scala, Elea, Omnia, Tecto e Terranova.
Entre os maiores empreendimentos está o data center da ByteDance, dona do TikTok, em construção na região metropolitana de Fortaleza (CE). O projeto terá capacidade de 200 MW, com investimentos de R$ 200 bilhões da companhia chinesa e R$ 12 bilhões adicionais de outros investidores.
Embora sejam estruturas tecnológicas, os data centers também são considerados ativos imobiliários. Segundo Tito Costa, diretor da Tecto, “o data center é como se fosse um hotel de computador”.
Os contratos de locação geralmente têm prazo de dez anos, renováveis, incluindo serviços essenciais como energia e refrigeração.
O setor enfrenta desafios como elevado consumo de eletricidade e água, além de entraves regulatórios e tributários. Executivos aguardam a implementação do Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center), política de incentivo negociada com o governo federal, que deve facilitar novos investimentos e consolidar o crescimento do segmento no país.
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