Um estudo inédito divulgado nesta terça-feira (2) revela que jogos de azar e apostas online, conhecidos como bets, causam prejuízos de R$ 38,8 bilhões por ano no Brasil. O levantamento considera impactos econômicos e sociais, como suicídios, desemprego, gastos com saúde e afastamentos do trabalho.
O relatório “A saúde dos brasileiros em jogo”, elaborado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps), pela Umane e pela Frente Parlamentar Mista para Promoção da Saúde Mental, mostra que, em apenas seis meses, 17,7 milhões de brasileiros fizeram apostas, e cerca de 12,8 milhões estão em situação de risco, segundo dados da Unifesp.
Entre os custos sociais estimados pelo estudo estão:
- R$ 17 bilhões por mortes adicionais por suicídio;
- R$ 10,4 bilhões por perda de qualidade de vida devido à depressão;
- R$ 3 bilhões em tratamentos médicos;
- R$ 4,7 bilhões em encarceramento relacionado a crimes;
- R$ 1,3 bilhão por perda de moradia.
Do total, 78,8% (R$ 30,6 bilhões) estão ligados à saúde. O estudo alerta que a expansão das apostas, favorecida pela tecnologia e pela ausência de regulação, já provoca endividamento familiar e afeta a saúde mental da população.
Apesar de o setor ter movimentado cerca de R$ 240 bilhões em 2024, a arrecadação tributária ainda é pequena frente aos prejuízos: até agosto de 2025, apenas R$ 33 milhões foram repassados ao Ministério da Saúde, sem vinculação específica à atenção em saúde mental.
O levantamento também critica o baixo retorno econômico para trabalhadores: apenas 1% da receita se converte em salários formais, e 84% dos empregados não contribuíram para a previdência em 2024, enquanto a média nacional era de 36%.
Para reduzir danos, o Ieps recomenda medidas como aumento da destinação da arrecadação para saúde, restrição de acesso a pessoas em situação de risco e menores, proibição de propaganda direcionada a jovens, campanhas de conscientização e regulação rigorosa das operadoras.
O relatório cita experiências internacionais, como o modelo britânico, que prevê autoexclusão de usuários, limitação de publicidade e destinação de 50% da arrecadação tributária ao tratamento de dependentes do jogo.
Por outro lado, o mercado de apostas legal argumenta que aumento de tributos pode fortalecer o setor clandestino, que já representa mais de 51% das apostas online no país, prejudicando arrecadação e competitividade.
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