A COP30 entra nesta segunda semana, em Belém, na fase decisiva das negociações climáticas. Com a presença de ministros e chefes de delegação, os países tentam construir o consenso necessário para aprovar os acordos que irão orientar as ações globais de enfrentamento à crise climática nos próximos anos.
Um resumo divulgado pela presidência da COP no domingo (16) mostrou o andamento das consultas sobre quatro temas centrais. Entre eles estão a ampliação das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) — metas climáticas nacionais — e o financiamento de países desenvolvidos para países em desenvolvimento, dois pontos que ainda não obtiveram apoio suficiente para avançar.
Outro item crucial, a Meta Global de Adaptação (GGA), também segue sem consenso, apesar de estar oficialmente na agenda e ser considerado um dos possíveis resultados de maior peso da conferência.
Especialistas apontam falta de avanços concretos
O documento da presidência foi avaliado como fiel ao cenário técnico das negociações. Liuca Yonaha, vice-presidente do Instituto Talanoa, destaca que o texto reúne opções de encaminhamento, mas ainda depende de decisões políticas para evoluir.
Para parte dos especialistas, o maior problema é a falta de referências claras aos caminhos para acelerar a ação climática.
Fernanda Bortolotto, da The Nature Conservancy Brasil, aponta a ausência de compromissos sobre desmatamento zero e transição para longe dos combustíveis fósseis — temas defendidos publicamente por líderes como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra Marina Silva.
“Há apoio de mais de 60 países para esses mapas de transição, mas isso ainda não aparece nas negociações oficiais. Sem isso no texto final, a COP perde um de seus principais potenciais avanços”, alerta.
Brasil tenta destravar negociações
Com a chegada dos ministros, cresce a expectativa por avanços políticos. Tradicionalmente, a segunda semana da COP é o momento em que as decisões ganham tração.
Na plenária de alto nível nesta segunda-feira (17), o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin reforçou a proposta brasileira de adotar mapas de ação para a transição energética e o fim do desmatamento ilegal — apontados por ele como legados centrais da conferência.
Anna Cárcamo, do Greenpeace Brasil, afirma que a pressão precisa aumentar:
“É fundamental que os países fechem encaminhamentos claros para os mapas do caminho de desmatamento zero e abandono dos combustíveis fósseis.”
Meta Global de Adaptação segue travada
Mesmo com um rascunho técnico finalizado — que prevê 100 indicadores globais — a decisão sobre a Meta Global de Adaptação permanece bloqueada.
O Grupo Africano, que reúne 54 países, quer estender o trabalho técnico por dois anos, adiando a decisão final para 2027. A proposta tem apoio do bloco árabe.
“O texto-base está pronto, mas a adoção depende do nível ministerial”, explica Bortolotto.
Além da GGA, também serão analisados nesta semana os rascunhos referentes aos Planos Nacionais de Adaptação (NAPs) e ao Fundo de Adaptação, ambos com consenso técnico inicial.
Transição justa também divide opiniões
Outro tema sensível é o pedido para criar um programa de trabalho sobre transição justa, que busca garantir mudanças econômicas sem aprofundar desigualdades. O rascunho desse item ainda não encontrou consenso e seguirá para discussão política nos próximos dias.
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