Após a Operação Contenção — que já contabiliza 119 mortos nos Complexos da Penha e do Alemão —, o governo federal e o governo do Rio de Janeiro anunciaram a criação de um Escritório Emergencial de Combate ao Crime Organizado.
O anúncio foi feito nesta quarta-feira (29) durante uma coletiva conjunta do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, e do governador Cláudio Castro, no Palácio Guanabara. A medida marca o início de uma nova fase de cooperação entre União e Estado para enfrentar financeiramente as organizações criminosas que atuam no Rio.
Segundo Lewandowski, o objetivo é asfixiar economicamente facções e milícias, cortando o acesso a recursos ilegais e bloqueando canais de lavagem de dinheiro.
“Sem dinheiro, o crime tem pouca capacidade de atuação”, afirmou o ministro.
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O Escritório Emergencial reunirá representantes da Polícia Federal, Receita Federal, Coaf, Ministério da Justiça e das forças estaduais de segurança. A equipe será responsável por rastrear transações suspeitas, bloquear contas bancárias e monitorar empresas usadas como fachada por grupos criminosos.
O governador Cláudio Castro destacou que a cooperação entre as esferas federal e estadual é essencial para enfrentar o crime organizado de forma estruturada.
“Estamos unindo inteligência, tecnologia e informação. O crime precisa ser combatido no seu ponto mais sensível: o financeiro. Essa integração é o caminho para enfraquecer as facções e as milícias”, disse Castro.
A criação do Escritório ocorre em meio à repercussão da Operação Contenção, considerada a mais letal do ano no país. Deflagrada pelo governo estadual, a ação resultou em 119 mortes, segundo balanço atualizado, incluindo suspeitos, moradores e agentes de segurança.
Entidades de direitos humanos e órgãos de controle cobram transparência e investigação independente sobre o caso. O Ministério Público Federal e a Defensoria Pública acompanham a apuração dos fatos e avaliam a legalidade das ações policiais.
De acordo com o Ministério da Justiça, o Escritório Emergencial terá sede no Rio e operará inicialmente em caráter provisório por 90 dias. Caso apresente resultados positivos, o modelo poderá ser incorporado de forma permanente e replicado em outros estados com forte presença do crime organizado.
Lewandowski ressaltou que o foco será inteligência financeira e cooperação institucional, e não apenas repressão policial.
“O enfrentamento ao crime precisa ir além da força. É com informação, rastreamento e bloqueio de recursos que se destrói a base econômica dessas organizações”, concluiu o ministro.
O governo federal também informou que novas operações integradas entre PF, PRF e polícias estaduais estão sendo planejadas para as próximas semanas, com apoio do Coaf e da Receita Federal.
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