Começou nesta quinta-feira (16) a Virada Sustentável no Rio de Janeiro, que segue até domingo (19), com o propósito de aproximar o público de temas como mudanças climáticas, consumo consciente e preservação da biodiversidade. O festival retorna à cidade após cinco anos, que já sediou eventos importantes como a Eco 92, a Rio+20 e a Cúpula da Terra em 2012.
Realizado a poucos dias da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), marcada para novembro em Belém (PA), o evento completa 15 anos e já passou por 55 edições em várias cidades brasileiras. Nesta edição, a programação é gratuita e distribuída em diferentes espaços da capital carioca.
Entre os locais que recebem as atividades estão o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB RJ), a Galeria Scenarium, a Casa Clima, a Fundição Progresso, o Solar dos Abacaxis, o Museu de Cultura Afro-Brasileira da Pequena África (Muhcab), o Parque Garota de Ipanema e o Sesc Rio.
O festival é realizado em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil e celebra a consolidação de uma rede colaborativa de parceiros que ajudam a divulgar as mensagens e mobilizar comunidades em prol de uma agenda sustentável e alinhada com o futuro.
Debates e apresentações no CCBB RJ
A abertura oficial ocorreu no CCBB RJ, que também sediou o Fórum Virada Sustentável, reunindo especialistas, ativistas e representantes de organizações parceiras em debates sobre mudanças climáticas, empreendedorismo sustentável, economia verde em festivais e no Carnaval, saneamento universal, práticas ESG, urbanismo e saberes ancestrais.
O Fórum contou com a participação de mais de 30 lideranças, entre elas Diego Carbonell, diretor de Sustentabilidade da Liga RJ; Thaysa Santos, da Rede Favela Sustentável; Regina Tchelly, da Favela Orgânica; Ivani Rosa da Silva, do Quilombo Cafundó Astrogilda; Alan Brum, ativista e doutorando em planejamento urbano; Adriana Bocaiuva, do Comitê de Bacias da Baía de Guanabara; e Rita Fernandes, do bloco Sebastiana.
No mesmo espaço, o público assistiu a shows em homenagem a Tom Jobim, com a cantora Paula Morelenbaum, que integrou o grupo do maestro por dez anos, além do violoncelista Jaques Morelenbaum e da cantora e multi-instrumentista Dora Morelenbaum. Também se apresentaram a banda Bala Desejo, vencedora do Grammy Latino, o cantor Zé Ibarra e o grupo Tanaka do Pife, que traz ritmos nordestinos em seu repertório.
Além disso, o CCBB RJ ofereceu oficinas, visitas guiadas ao prédio histórico e à exposição “Um escultor de significados”, com cerca de quarenta obras do artista Flávio Cerqueira que abordam questões de classe e identidade.
Programação cultural e sustentável em espaços públicos
No Parque Garota de Ipanema, a agenda valorizou a cultura regional, com apresentações da Roda de Jongo do grupo Afrolaje Cultural, o espetáculo circense “Brasil mostra sua Cara”, do Anima Circ, e o Maracatu de Baque Virado, tradicional ritmo pernambucano, além da banda feminina de forró Tocaia, Natasha Llerena e Alulu Paranhos. O encerramento ficou por conta da cantora Mãeana, que mistura tropicalismo, MPB e influências femininas no show “Mãeana canta JG”.
Na Praça Tiradentes, a Casa Clima promoveu palestras e oficinas em parceria com o Impact Hub Rio, enquanto no Solar dos Abacaxis, próximo à Feira do Rio Antigo, o público conferiu exposições e atividades de sustentabilidade e reutilização.
Na Fundição Progresso, aconteceu o 2º Festival Favela Sustentável, organizado pela Rede Favela Sustentável, que reúne mobilizadores comunitários de mais de 300 favelas da região metropolitana do Rio. O evento contou com mais de 100 iniciativas de sustentabilidade e lançou a carta COP30 das favelas.
No Museu de Cultura Afro-Brasileira da Pequena África (Muhcab), a programação destacou a exposição “Protagonismos – memória, orgulho e identidade”, que valoriza a cultura afro-brasileira, acompanhada por seminários sobre saúde do homem negro e a Feira Orobós.
Atividades ambientais e gastronomia solidária
Na Lagoa Rodrigo de Freitas, houve palestras sobre moda sustentável, soltura de caranguejos e plantio de mudas no manguezal, com a coordenação do biólogo Mário Moscatelli, que atua há mais de 36 anos na região.
Na área gastronômica, o Refettorio Gastromotiva, na Lapa, promoveu um jantar solidário, funcionando como restaurante-escola e refeitório comunitário para pessoas em vulnerabilidade social. O cardápio foi preparado pela equipe do local, com o apoio de voluntários que participaram do atendimento ao público.
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