Na quarta-feira (26), o antropólogo, senador e educador Darcy Ribeiro faria 100 anos. O idealizador da UENF foi grande amigo do cineasta Glauber Rocha, o diretor de “Terra em Transe”, contemporâneo de Jean Luc Godard – expoente da Nouvelle Vague, que nos deixou faz algumas semanas.
Diante do impasse político vivido pela política brasileira, nosso antropólogo diria que qualquer que seja a situação e diante do risco de o pior acontecer (por exemplo, a consolidação de uma autocracia fomentada no poder da grana), isso, por si só, deveria mobilizar as vontades e energias para evitar que um retrocesso dessas proporções aconteça.
A superação desse quadro, seu sucesso ou fracasso, é uma tarefa do nosso tempo à frente. Principalmente, nesta quadra de deterioração das condições financeiras, sinalizando forte desaceleração econômica, em escala planetária.
Digladiam-se nesse momento para comandar o Fundo Público, de um lado, a Centro-esquerda (liberal-progressista); A centro-direita tradicional; o grande capital bancário e seus aliados na “Faria Lima”; a bancada fisiológica e suas lideranças regionais; os meios de comunicação corporativos e seus interesses financeiros e a ascendente extrema-direita praticando seu conservadorismo radical.
Pondo lenha na fogueira, a Folha de São Paulo, mostra reportagem em que o ministro da Economia, Paulo Guedes, prepara “um ambicioso plano para refundar as contas públicas no país”, uma espécie de “marco fiscal” para os assalariados, aposentados e pensionistas.
Numa época em que o grupo alimentação e bebidas acumula inflação de 9,54% no ano, de janeiro a setembro – na maior alta para os nove primeiros meses do ano, desde 1994 – os reajustes dos salários praticamente congelados podem levar ao aumento da fome.
Hoje metade da população brasileira, 125 milhões de pessoas, não comem as três refeições diárias necessárias para manter uma boa saúde. Outros 33,1 milhões passam fome.
Para praticamente zerar os reajustes, o governo Bolsonaro quer mudar o índice que calcula a inflação. A ideia de Guedes é passar a usar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), utilizado para famílias que ganham até 40 salários mínimos, que costuma ser menor do que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), este último usado para calcular os reajustes do salário mínimo, aposentadorias, pensões e benefícios, que sempre é maior. A reação não poderia ter sido pior!
E lembra um ditado africano: “Quando as teias da aranha se juntam, elas podem amarrar um leão”! Voltando a Darcy Ribeiro e, diante de tudo, minha razão é pessimista, mas minha vontade é otimista e deve prevalecer num futuro próximo.
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