Paraíba do Sul RJ – A tranquilidade da cidade de Paraíba do Sul, no interior do Rio de Janeiro, foi abruptamente quebrada por um incidente que levanta sérias questões sobre a segurança de delatores e a conduta de agentes da lei no Brasil. Em um episódio que evoca cenas de filmes de gângsteres, homens armados com fuzis e à paisana, em veículos descaracterizados, abordaram violentamente Golber Lopes Júnior, um servidor da Procuradoria da Câmara de Vereadores local.
O incidente, ocorrido na quarta-feira, 27 de julho, é o mais recente e alarmante desdobramento do escândalo de corrupção conhecido como ‘República dos Royalties’, que assola o município de Presidente Kennedy, no Espírito Santo.
Golber Lopes Júnior, descendente de uma família tradicional com raízes profundas no Vale do Café, foi confundido com seu irmão, Gilbert Wagner Antunes Lopes, conhecido como ‘Waguinho’, o principal delator do esquema de desvio de mais de R$ 200 milhões dos cofres públicos de Presidente Kennedy, no sul capixaba.
Os agressores, que se identificaram como agentes da Polícia Federal e ostentavam brasões e distintivos, não apresentaram qualquer mandado judicial ou documentação que comprovasse sua autoridade. As autoridades locais não foram notificadas sobre a operação, e a Polícia Federal ainda não reconheceu qualquer ação oficial na cidade, levantando suspeitas de que a operação foi clandestina.
Caso sejam agentes da Polícia Federal, a conduta é grave. Se não forem agentes da PF, a conduta é mais grave ainda. Neste último caso, estariam à serviço de quem? De onde vieram os fuzis e outras armas de grosso calibre que os homens ostentavam, caso não sejam policiais?

Conexão Presidente Kennedy: caçada ao delator
O incidente em Paraíba do Sul não é um caso isolado, mas sinaliza um elo direto com o megaesquema de corrupção em Presidente Kennedy. Waguinho, o alvo desta operação, tem vazado informações cruciais que implicam diretamente o Procurador Geral do Município, Rodrigo Lisboa.
A semelhança física entre os irmãos levou à confusão, e, ao perceberem o engano, os agressores teriam proferido ameaças e enviado um recado explícito: Waguinho deveria se entregar à polícia, ou as consequências seriam severas. Eles também inquiriram sobre o paradeiro da filha do delator, que se casou recentemente.
Este episódio de intimidação ocorre dias após a CNN Brasil publicar uma matéria com um vídeo em que o Procurador Geral do Município, Rodrigo Lisboa, afirma, por meio de citação do repórter, que está buscando proteção da Polícia Federal por se sentir ameaçado pelo delator.
A reportagem, que parece ter sido baseada em um comunicado de imprensa, levanta dúvidas sobre a imparcialidade da cobertura, dado o histórico de notícias positivas sobre Lisboa na emissora.

Monitoramento indevido e violação de direitos
O documento anexo, uma petição judicial de Gilbert Wagner Antunes Lopes, revela que o processo 5028255-35.2025.8.08.0024, movido contra Rodrigo Correa Lisbôa, foi acessado por um delegado de Polícia Civil do Espírito Santo (NF 3362825) que não possui atribuição funcional para atuar em ações judiciais estranhas às suas funções.
Este acesso, considerado incomum, sugere um monitoramento indevido do delator, mesmo após o encerramento formal das investigações anteriores.
A petição argumenta que a atuação do delegado, sem respaldo legal, judicial ou investigativo, configura uma grave violação do direito fundamental à intimidade e à vida privada, além de um possível desvio de função.
A família de Golber Lopes Júnior, que possui membros em órgãos como o Ministério Público Federal, acionou a Polícia Militar de Paraíba do Sul, que realizou buscas na cidade, mas os agressores conseguiram fugir. Imagens de câmeras de segurança estão sendo analisadas para identificar os veículos e seus ocupantes.
Advogados do delator estão oficiando o Ministério da Justiça e a Polícia Federal para esclarecer se houve alguma operação autorizada judicialmente, já que os supostos agentes não apresentaram mandado.
A falta de comunicação às autoridades locais e a natureza violenta da abordagem reforçam a tese de uma operação clandestina, visando intimidar o delator e silenciar as denúncias de corrupção.
Clima de medo e a busca por justiça
O irmão do delator, Golber Lopes Júnior, encontra-se em estado de pânico e vergonha após o ocorrido. Ele relatou ter sido xingado e ameaçado, com os agressores enviando um recado direto a Waguinho. A família que reside na pacata comunidade, está chocada com a violência. Este incidente sublinha a perigosa realidade enfrentada por aqueles que ousam expor esquemas de corrupção no Brasil.
Enquanto as investigações prosseguem e as autoridades buscam identificar os responsáveis pela operação clandestina, a sociedade e os órgãos de controle aguardam por respostas.
A ‘República dos Royalties’ continua a revelar uma trama complexa de corrupção, poder e intimidação, exigindo uma atenção rigorosa e imparcial das autoridades.
Waguinho é considerado foragido da Justiça. Ele é acusado de ser mandante na execução de um vereador em Presidente Kennedy e tem mandado de prisão expedido pela Justiça. Ele nega envolvimento no crime e o seu paradeiro é desconhecido.
Sobre República dos Royalties: Série de reportagens do Diário da Guanabara sobre a corrupção em Presidente Kennedy (ES), cidade do sul capixaba que detém um dos maiores PIBs per captas do país, em função dos repasses de royalties e Participação Especial na Produção de Petróleo. A cidade, atualmente, é apontada como o epicentro da corrupção no Estado do Espírito Santo.
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