Mais de 100 organizações humanitárias e de direitos humanos divulgaram um alerta internacional nesta quarta-feira (23) sobre a grave situação humanitária na Faixa de Gaza. Em uma carta aberta, 115 entidades — entre elas Médicos Sem Fronteiras, Mercy Corps e Save the Children — denunciaram que o bloqueio imposto por Israel e a ofensiva militar contínua estão empurrando a população palestina à beira da fome.
O alerta ocorre após novos bombardeios israelenses deixarem ao menos 21 mortos entre a noite de terça-feira (22) e a manhã desta quarta, segundo autoridades de saúde locais. A carta denuncia que trabalhadores humanitários e civis palestinos estão “definhando” diante da escassez total de comida e suprimentos básicos, em meio à destruição de centros de distribuição e ataques a civis que tentavam acessar ajuda.
De acordo com testemunhas, autoridades de saúde e o Escritório de Direitos Humanos da ONU, forças israelenses abriram fogo diversas vezes contra multidões que buscavam alimentos, matando mais de mil pessoas. Israel nega os números e afirma que seus soldados atiraram apenas tiros de advertência diante de situações de tumulto.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, afirmou que Gaza vive um “aumento letal” nos casos de desnutrição e doenças associadas. Segundo a agência, mais de 30 mil crianças com menos de 5 anos estão em estado de desnutrição aguda, e ao menos 21 delas morreram somente este ano por complicações da fome.
Centros de atendimento emergencial estão sobrecarregados e operando sem recursos básicos. Rik Peeperkorn, representante da OMS na Palestina, reforçou que a maior parte da população de Gaza — estimada em 2 milhões de pessoas — passa fome severa.
Em resposta às críticas, o Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou que as ONGs “ecoam a propaganda do Hamas” e atribuiu as dificuldades na entrega de ajuda às agências da ONU, alegando que Israel permite a entrada de alimentos, mas há falhas logísticas por parte das organizações internacionais.
Em paralelo, o enviado do ex-presidente dos EUA Donald Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff, deve se reunir com autoridades israelenses para discutir um possível cessar-fogo. O Hamas, por sua vez, condiciona um acordo à retirada total das tropas israelenses da Faixa de Gaza e à assinatura de um cessar-fogo permanente, em troca da libertação dos cerca de 50 reféns que ainda mantém — dos quais apenas 20 estariam vivos.
Desde o início da guerra, em outubro de 2024, mais de 59 mil palestinos foram mortos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza — mais da metade, mulheres e crianças.
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