O governo brasileiro publicou uma medida provisória que torna obrigatório o uso de energia elétrica proveniente de fontes renováveis em data centers instalados em zonas francas de exportação. A medida faz parte de uma estratégia para atrair investimentos estrangeiros, estimular o uso de energia limpa e consolidar o Brasil como uma referência global em infraestrutura tecnológica sustentável.
A iniciativa está alinhada ao fato de que cerca de 90% da energia elétrica brasileira já é gerada a partir de fontes renováveis, como hidrelétricas, eólicas e solares. Com esse diferencial competitivo, o país pretende se posicionar como um polo internacional para a instalação de grandes centros de dados.
No entanto, a proposta também tem gerado controvérsia. Uma das principais críticas ao projeto é a possível ameaça à soberania digital brasileira, já que a medida poderia favorecer a entrada massiva de grandes empresas de tecnologia estrangeiras — como Google, Amazon e Nvidia — no controle da infraestrutura de dados nacional.
Em maio deste ano, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, viajou à Califórnia para se reunir com executivos dessas empresas com o objetivo de atrair investimentos diretos para a construção de data centers no Brasil. O encontro foi interpretado por alguns setores como um indício de que o país pode estar abrindo mão de sua autonomia digital em troca de capital estrangeiro.
Especialistas em tecnologia e regulação alertam que o governo precisa adotar uma abordagem mais cautelosa. Em entrevista à RT, uma especialista defendeu a realização de estudos mais amplos e um planejamento estratégico nacional antes da implementação definitiva da política de data centers.
Ao mesmo tempo em que a proposta promete avanços em sustentabilidade e tecnologia, o debate sobre controle de dados e interesses geopolíticos levanta um importante questionamento: o Brasil pode se tornar referência mundial em infraestrutura digital limpa sem comprometer sua soberania?
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